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Brumadinho: a tragédia que segue acontecendo há um mês

| Minas Gerais | A Cidade tenta se reerguer após desastre que ocorreu em 25 de janeiro, deixando 179 pessoas mortas e outras 131 desaparecidas

05:00 | 25/02/2019
Brumadinho
Brumadinho

Há exatamente um mês, a vida das pessoas que vivem em Brumadinho, Região Metropolitana de Minas Gerais, mudou drasticamente. A Barragem I, da Mina Córrego do Feijão, rompeu durante o início da tarde daquele 25 de janeiro, deixando 179 mortos confirmados até o último domingo,  e 131 vítimas desaparecidas, entre funcionários da mineradora Vale - dona da barragem rompida -, trabalhadores terceirizados e moradores da região. Os estragos continuam acontecendo, em uma tragédia que segue em andamento há 30 dias. 

Os rejeitos oriundos da barragem já percorreram cerca de 250 quilômetros desde o último 25 de janeiro, devastando os locais por onde passa. A lama atingiu 16 municípios: Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Igarapé, Juatuba, Esmeraldas, Florestal, Pará de Minas, São José da Varginha, Fortuna de Minas, Pequi, Maravilhas, Paraopeba, Papagaios e Pompéu, além de Brumadinho.

Segundo informações do governo de Minas Gerais, a Barragem 1 estava inativa e não recebia mais rejeitos de mineração. A licença que foi concedida à empresa, em dezembro de 2018, não autorizava nova disposição de rejeitos na barragem, nem previa aumentá-la. A licença era para reaproveitamento de minério, com consequente descomissionamento da barragem, ou seja, eliminá-la e posterior recuperação da área.

Desde o dia 20 de fevereiro, uma equipe do Corpo de Bombeiros está fazendo buscas na área onde funcionava o almoxarifado da Vale. No local, foi encontrado um corpo. O almoxarifado foi identificado pelo cruzamento de dados, de localizações georreferenciadas e de indicações do terreno. As buscas na área do almoxarifado se desenvolveram durante a semana passada. O Corpo de Bombeiros trabalha em sete frentes de buscas na área da barragem que se rompeu. Nesta fase de escavações, o trabalho é mais difícil, porque a lama ainda está muito profunda. Sem data para encerrar as buscas, a corporação mineira atua com apoio de militares de outros estados.

Na véspera de completar um mês da tragédia do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, o Governo de Minas reiterou a proibição do uso da água do Rio Paraopeba, que abastece a região. Não foi informado por quanto tempo valerá a determinação. Em nota, divulgada no domingo, 24, pelas secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura, o alerta é para evitar o uso em quaisquer circunstâncias.

"A orientação de não se utilizar a água bruta do rio, sem tratamento, é válida para qualquer finalidade: humana, animal e atividades agrícolas". A medida foi adotada após a detecção de metais em níveis acima do permitido pela legislação ambiental e de avaliação da Secretaria de Saúde de Minas Gerais com base em requisitos de vigilância sanitária.

O monitoramento de qualidade da água é feito diariamente desde 26 de janeiro, um dia após o rompimento da Barragem B1. O trabalho é desenvolvido pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Agência Nacional de Água (ANA) e Serviço Geológico do Brasil (CPRM). (Com informações da Agência Brasil)

O Povo