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Meio Ambiente

Requalificação da Beira Mar retira 40 árvores em nova fase; entenda as consequências

A Secretaria da Infraestrutura (Seinf) afirmou que para cada árvore cortada, outras dez devem ser replantadas. Especialista fala que um dos principais problemas dessa gestão pública é relacionado ao manejo da vegetação, principalmente em relação a poda

14:32 | 13/02/2019
As árvores retiradas devem dar lugar a um replantio dez vezes superior. (Foto: Mateus Dantas/O POVO)
As árvores retiradas devem dar lugar a um replantio dez vezes superior. (Foto: Mateus Dantas/O POVO)

O projeto arquitetônico que vai retirar 40 árvores, até o fim desta semana, da nova fase da obra de requalificação da avenida Beira Mar tem como justificativa o ajuste no sistema pluvial subterrâneo que passa pela via. Os alagamentos que atingem a área seriam o motivo principal, visto que a drenagem na região funciona de forma incorreta.

Segundo a secretária da Infraestrutura, Manuela Nogueira, a região tem muitos dutos e tubulações e a não retirada das árvores iria gerar uma obra incompleta, na qual os mesmos problemas continuariam. Manuela ainda argumenta que para cada árvore cortada serão plantadas outras dez, contribuindo para uma boa cobertura vegetal e o conforto térmico para os frequentadores do local.

Ainda foi informado que parte das árvores devem ser transplantadas, inicialmente para o Horto Municipal, no bairro Passaré, e depois para praças, creches, além de outras obras da Prefeitura. O transplante é realizado quando se verifica que a vegetação tem saúde o suficiente para o procedimento.

A retirada de uma árvore favorece a formação dos chamados "bolsões de calor".
A retirada de uma árvore favorece a formação dos chamados "bolsões de calor". (Foto: Luciano Rodrigues/Especial para O POVO)

Entenda quais árvores serão replantadas

O replantio de árvores na avenida Beira Mar integra um plano municipal que envolve outros pontos da cidade. De acordo com a Autarquia de Paisagismo e Urbanismo de Fortaleza (Urbfor), 1.880 árvores serão plantadas no entorno da avenida e em outros pontos. A pasta não informou o número de árvores somente na região da orla até o fechamento desta matéria.

As espécies escolhidas para o plantio levaram em conta uma melhor adaptação ao clima litorâneo. São elas: Oiti, Ipê branco, Juazeiro, Pata de Vaca, Flamboyant, Caraúba, Acácia mimosa, Ipê rosa, Munguba, Carnaúba, Ipê roxo, Catolé, Jacarandá, Mimoso, Pau Brasil, além de coqueiros, carnaúbas, e arbustos.

“Algumas podas são feitas para matar as árvores”, comenta especialista

Para Oriel Herrera, professor do Laboratório de Ecologia da Uece, o corte de árvores em áreas urbanas representa uma grande perda para a população e sempre deve se fazer o possível para que qualquer retirada seja evitada. "As árvores funcionam como um equilíbrio, mantém uma temperatura adequada e diminuem os bolsões de calor". Para o especialista, a escolha da espécie Oiti para replantio não é recomendada para áreas urbanas, essa é uma árvore que cresce muito e pode acarretar na queda de frutos em pessoas e carros.

Oriel ainda reclama que a gestão da prefeitura tem uma postura reativa e os problemas só são tratados quando acontecem. Ele critica também a forma como a poda é feita. Apesar de ser necessário para que a árvore não se desequilibre, o professor fala que geralmente são feitas "podas para matar" e que deveria ser algo mais "planejado e com objetivo".

Para ele, esse pode ser um dos fatores que contribui para a queda das árvores, como a que aconteceu recentemente na avenida Beira Mar. A poda feita sem estudos mais aprofundados pode interferir diretamente na saúde da planta e favorecer um tombamento. O especialista fala ainda que tem contato com algumas pessoas da Prefeitura, mas que não costumam acatar as suas opiniões.

 

 

Leonardo Maia