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EM FORTALEZA

Projeto de lei para ajudar famílias afetadas pelas chuvas deve ser votado nesta quarta-feira

No Conjunto Palmeiras, ainda não houve nenhum tipo de apoio da Prefeitura. Os moradores contam apenas com ajuda de igrejas, que doaram cestas básicas

14:28 | 27/02/2019
Situação de crise dos moradores do bairro Conjunto Palmeiras depois das chuvas. (Foto: Gustavo Simão/ Especial para O POVO)
Situação de crise dos moradores do bairro Conjunto Palmeiras depois das chuvas. (Foto: Gustavo Simão/ Especial para O POVO)

Um projeto de lei emergencial para tratar das indenizações às famílias afetadas com as últimas chuvas em Fortaleza foi encaminhado pelo prefeito Roberto Cláudio à Câmara Municipal e deve ser votado nesta quarta-feira, 27. Além disso, a Prefeitura está cadastrando os moradores atingidos pela Defesa Civil e prometeu na última segunda feira, 25, fornecer "colchonetes, redes, cestas básicas, medicamentos e demais serviços essenciais".

Entretanto, O POVO Online esteve na manhã desta quarta-feira, 27, no bairro Conjunto Palmeiras e os moradores afirmaram que não havia sido fornecido nenhum apoio pela gestão pública. A ajuda chegou apenas por igrejas, que se mobilizaram para doação de cestas básicas.

Danos da enchente

As famílias prejudicadas sofreram com a perda de vários objetos: armários, camas, geladeiras, máquinas de lavar e documentos. Algumas pessoas ainda relataram sobre a necessidade de usar o banheiro de vizinhos e dormirem com o nível da água ainda alto.

Francisca Manuela de Araújo, 45, teve ajuda da igreja com a doação de cesta básica.
Francisca Manuela de Araújo, 45, teve ajuda da igreja com a doação de cesta básica. (Foto: Gustavo Simão/ Especial para O POVO)

O casal Francisca Manuela de Araújo, 45, e Raimundo de Jesus, 57, falam que é difícil achar disposição até para comer. Em sua casa, entra água tanto do esgoto como da rua e rapidamente o nível da água sobe de forma considerável. Raimundo afirma ainda que tirou portas e outros móveis da casa para evitar uma perda ainda maior. O homem fala que passou pela mesma situação há 17 anos e que pretende sair dali assim que possível.

Mesmo com a situação de pânico vivenciada, Edson Lima Oliveira, 18, tenta resgatar um pouco de otimismo ao contar que, na hora da enchente, na última segunda-feira, não era um dia em que estava trabalhando com reciclagem. Ele fala que em alguns momentos precisou mergulhar na água acumulada para se deslocar de um ponto a outro. Pessoas que não sabiam nadar enfrentaram muitos problemas para se deslocar diante da enchente.

Lucineide Cordeiro Nascimento, 65, mora de aluguel e quer sair o mais rápido possível da região.
Lucineide Cordeiro Nascimento, 65, mora de aluguel e quer sair o mais rápido possível da região. (Foto: Gustavo Simão/ Especial para O POVO)

Sair da região o mais rápido possível é o "maior sonho" de Lucineide Cordeiro, 65. Morando em uma casa alugada, ela conta que nunca havia passado por uma situação como essa em sua vida. Nos dias mais críticos, a mulher conseguiu se refugiar com o marido na casa da filha, na comunidade São Cristóvão. Lucineide ligou em estado de desespero para ela: "Minha filha, eu estou morrendo".

Todas as famílias entrevistadas pelo O POVO Online na manhã desta quarta-feira, 26, afirmaram que já haviam se cadastrado na Rede Cuca em busca de ajuda, mas ainda não receberam nenhuma resposta.

Redação O POVO Online