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Fortaleza
SINDIÔNIBUS

68% dos ataques a ônibus dos últimos seis anos foram relacionados ao crime organizado

19 incêndios foram registrados nos últimos 4 dias. O número é maior do que as ocorrências dos anos de 2014 e 2015

13:24 | 04/01/2019
Ônibus queimado nesta quinta-feira, 3, no bairro Parque Santa Rosa (Foto: Gustavo Simão/ Especial para O POVO)
Pelo menos 119 veículos que compõem a frota do transporte público de Fortaleza foram incendiados desde 2014. O levantamento divulgado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) aponta que 68% dos incêndios teriam sido orquestrados como forma de represália do crime organizado aos órgãos estaduais e municipais. 

Somente nos últimos dois dias de ataques registrados em Fortaleza e na Região Metropolitana, desde quarta-feira, 2, o número de ônibus incendiados ultrapassa os catalogados em todos os meses dos anos de 2014, com 9 casos, e 2015, com 11. Até o início da tarde desta sexta-feira, 4, a Cidade teve 19 veículos queimados. A frota opera com 30% da capacidade e algumas linhas rodam escoltadas por viaturas da Polícia Militar.

O aumento é de 100% dos casos, comparando os incidentes de 2014 e os quatro primeiros dias de 2019. O crescimento foi gradativo durante os seis anos. Em 2016, 20 ônibus foram incendiados. No ano seguinte, o número subiu para 25. O ano com maior quantidade de veículos queimados foi 2018, com 36 ônibus danificados.
 
(Foto: Divulgação/ Sindiônibus)
Segunda maior causa dos incêndios, segundo o sindicato, são as rebeliões em presídios do Estado. Pelo menos 25% das queimas teriam relação com os detentos. Represália por desocupações de moradias aparece como causa de 3% dos incidentes. Não foi identificado o motivo de 4% dos atos contra os veículos.
 
A onda de violência registrada nos últimos dois dias atingiu também prédios e equipamentos públicos, bancos e veículos particulares. Além das cidades da Região Metropolitana e da Capital, municípios do interior do Estado sofreram com explosões e incêndios. Como resposta aos atos criminosos cometidos por grupos vinculados a facções, o governador Camilo Santana (PT) pediu reforços da Força Federal. Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, liberou contingente de 300 homens para atuar na segurança do Ceará.
 
Com informações do repórter Thiago Paiva

ALEXIA VIEIRA