PUBLICIDADE
Fortaleza
Audácia

2016 concentrou cinco ciclos de atentados; carro-bomba foi deixado na AL

O artefato era composto por 48 dinamites com detonador e 50 centímetros de estopim. O raio de destruição era de 50 metros, mas a bomba não foi acionada.

22:02 | 03/01/2019
Foto: Via WhatsApp/O POVO em 2016


Dos 15 ciclos de atentados ocorridos no Ceará, cinco se deram 2016, incluindo a mais audaciosa ação criminosa registrada até então. Em abril daquele ano, um carro com explosivos foi deixado nas proximidades da Assembleia Legislativa. O artefato era composto por 48 dinamites com detonador e 50 centímetros de estopim. O raio de destruição era de 50 metros, mas a bomba não foi acionada.

Foi durante a sexta onda de ataques, quando três ônibus, três antenas de telefonia, a Câmara Municipal e o Quartel da PM de Sobral, além de uma viatura e uma base da PM foram atacados. Motos na Delegacia de Itapajé e uma cabine da PM, no Centro, foram incendiadas. Houve ainda duas ameaças, com informações falsas de bomba, no Fórum Clóvis Beviláqua e na empresa de teleatendimento Contax, ambos na Capital.
Os ataques seriam uma retaliação à proposta de lei que previa a instalação de bloqueadores de celular nos presídios cearenses. Em uma das ações contra ônibus, em Pacatuba, o motorista Bosco Moreira Júnior não conseguiu sair do coletivo a tempo, sofreu queimaduras em 70% do corpo, mas sobreviveu, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Ceará - (Sintro-CE).

Antes, no mês de março, o quinto ciclo foi registrado. Sete coletivos foram queimados e seis prédios públicos, sendo cinco delegacias e a sede da Sejus, foram alvos de disparos de armas de fogo. Uma granada de mão foi arremessada contra o 27° DP, no João XXIII, mas não explodiu. As ações seriam uma retaliação à morte de um adolescente que trocou tiros com PMs no Presidente Kennedy. Ele seria membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

No sétimo ciclo, em julho, os agentes de segurança se tornaram alvos diretos das ações. Dois policiais militares foram baleados e outras cinco pessoas ficaram feridas em atentado ocorrido na avenida Mister Hull, no Antônio Bezerra. Seis delegacias, uma viatura da PM, um carro dos Bombeiros e a sede da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) foram atacadas. Sete ônibus foram incendiados.

Já entre os dias 23 e 27, no mesmo mês, veio o 8º ciclo, sendo o 4º do ano. Duas delegacias e uma viatura do Demutran, em Aquiraz, foram atacadas. Em Maracanaú, foi descoberto um sistema de fios foi usado para energizar as grades da cela de uma delegacia, numa tentativa de eletrocutar os inspetores.

A série se encerrou após o 5º ciclo, em outubro, quando seis ônibus foram incendiados em Fortaleza. O primeiro, em 16 de outubro, no Vicente Pinzón, estaria relacionado a uma rebelião em presídio. Nos dias seguintes, outros três coletivos foram incendiados, no Vicente Pinzón e Cais do Porto. Ações seriam retaliação a um triplo homicídio, registrado na Comunidade da Estiva, no Cais do Porto. O motivo da matança, até hoje, não foi solucionado. Outros dois ônibus foram atacados, na Paupina, nos dias 21 e 22.

THIAGO PAIVA