Moradores de conjunto habitacional no Papicu denunciam conduta abusiva de policiaisNotícias de Fortaleza
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Moradores de conjunto habitacional no Papicu denunciam conduta abusiva de policiais

Há relatos de invasões violentas nas casas sem que houvesse mandado judicial. Moradora diz que teve uma obra embargada pelos PMs. Caso é investigado pela CGD

12:50 | 12/11/2018
Atualizado às 17h45min,
 
Moradores de conjunto habitacional no bairro Papicu denunciam conduta abusiva de policiais do 22º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. Segundo relatos, o clima é de medo na região. Pelo menos oito policiais tratariam os moradores, conforme relatam, com violência física e verbal, chegando a quebrar portas e invadir casas sem mandado judicial. Denúncia foi feita por fontes que preferiram não se identificar por razões de segurança.

[SAIBAMAIS]Uma moradora relatou que obra que estava fazendo em casa foi embargada pelos policiais. Segundo ela, foi a terceira vez que o grupo invadiu sua casa, alegando procurar drogas e armas. Ela também disse que os policiais ameaçaram e torturaram seu marido para que ele parasse com a construção. Conta que os mesmos policiais já torturaram um sobrinho seu com armas de choque em outra ocasião. 

A fonte afirmou que fez denúncia sobre a conduta dos PMs na Controladoria Geral de Disciplina e dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) e que, desde então, as ameaças se tornaram mais constantes. “Eu não posso ir na lanchonete que eu sou seguida”, denuncia. 

Outra fonte relatou que os policiais, que atuam na região há mais de dois anos, já agrediram moradores com tiros de borracha. Ela diz que os PMs “invadem a casa das pessoas, batem e esculhambam”. Segundo ela, as denúncias por parte da população são constantes, mas nunca resultaram em mudanças. 
 
Comandante da 3a Cia do 22° BPM, major Hideraldo Bellini negou as acusações. Segundo ele, a Polícia atende constantemente a pedidos de órgãos públicos para garantir a segurança dos funcionários em cortes de luz e água, embargos e cobranças. No caso relatado pela moradora, ele conta que os agentes estavam acompanhados de servidores da Regional II. "A PM não embarga obra", garantiu. 
 
O policial ainda criticou a moradora, propietária da obra embargada. De acordo com o agente, ela teria parentesco com homem envolvido com o tráfico de drogas na comunidade. "Estamos abertos à denúncia, mas não nos chegou isso. A CGD também não nos infomou. O que existe é uma pessoa desgostosa com uma ação da Prefeitura que está inflando outras pessoas a denunciarem a Polícia", argumentou. 
 
Embargo 

O POVO Online entrou em contato com a Regional II, responsável pela área, para obter informações sobre o embargo da obra relatado pela moradora. A assessoria respondeu que não tinha como dar mais informações sem ter dados mais específicos sobre a ação policial. O POVO Online entrou em contato com a Polícia Militar para saber detalhes sobre o trabalho dos PMs no caso. Em nota, o órgão afirmou que “não houve nenhuma participação da PM na ação”. 

A reportagem também contatou a CGD sobre a conduta abusiva dos policiais. Também em nota, foi respondido que a Controladoria “já instaurou procedimento disciplinar para a devida apuração na seara administrativa dos fatos”. As investigações estão em andamento. 
 
Redação O POVO Online 
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