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NOTÍCIA

Advogado de vigilante que matou jovem diz que ele acreditava ser um assalto e tentou atirar no pneu

Tiago é ex-policial militar. Ele se apresentou no sábado, 11, na DHPP e foi indiciado por homicídio

Jéssika Sisnando
11:06 | 14/08/2018
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O advogado do vigilante e ex-policial militar Tiago Rodrigo Ferreira Nunes, de 33 anos, relatou que o rapaz pensava que acontecia um assalto, atirando contra o pneu do carro onde estava Lucas Gomes, de 22 anos. Ele acabou atingido com um tiro na cabeça e morreu. As informações foram repassadas pelo advogado Wladimir d'Alva, nesta segunda-feira, 13. 


De acordo com o advogado, ele trabalhava na avenida 13 de Maio. A defesa disse que não sabe precisar a empresa para qual o vigilante prestava serviço. "Ele disse que ouviu uma zoada e uma pessoa gritando 'assalto'. Viu uma pessoa correndo com um objeto na mão e um carro fumê no apoio. Então deu dois tiros contra o pneu", relatou.

Conforme Wladimir, a arma que o vigilante utilizava era um revólver de cano curto, que não possui uma boa precisão para tiro. Após a ação, o vigilante teria continuado trabalhando e, quando terminou o horário, foi para casa pilotando uma motocicleta. No dia seguinte, recebeu uma ligação informando que uma pessoa foi morta em virtude dos disparos.

No sábado, 11, o advogado disse que o ex-PM foi até a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e prestou esclarecimentos sobre o caso. Ele apontou onde estava arma do crime, que foi apreendida. Segundo a defesa, o vigilante está transtornado com a situação, pois pensava se tratar de um assalto. "Ele quer colaborar com o que for necessário para entender o que houve", relatou.

Tiago é ex-policial e foi aprovado em concurso público de agente penitenciário 

Tiago é ex-policial militar. Na consulta do nome dele aparecem processos na Controladoria Geral de Disciplina (CGD). No Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), constam processos de crime militar. A PMCE informou o motivo do afastamento da corporação por meio de nota.

O ex-policial militar encontra-se fora dos quadros da Corporação desde de 04 de julho de 2014, por fato ocorrido em 06 de dezembro de 2013, na Caucaia/Ce, por porte ilegal de armas de fogo, registradas em nome de terceiros e por conduzir um veículo, gravado em ocorrência de roubo, sendo em virtude disso autuado em flagrante delito por infração aos arts. 180 e 311 do Código Penal, e arts. 14 e 16 da Lei 10.826/2003 - Estatuto do Desarmamento.

Ainda nos documentos que constam na pesquisa realizada pelo O POVO Online, Tiago foi aprovado no concurso de agente penitenciário. No entanto, ele não teria ingressado como aluno do curso de formação. O advogado de Tiago não soube explicar o motivo da expulsão de Tiago. 


O caso
Lucas foi morto na madrugada da sexta-feira, 10. Um amigo da vítima, que estava com ele no veículo, disse que três pessoas estavam no carro. Lucas no banco traseiro, uma garota no banco da frente e o amigo ao volante. Era madrugada e, conforme o relato da testemunha, Lucas teria pedido para ir no McDonald's. No entanto, o estabelecimento estava fechado. Lucas teria saído andando e pegou um cone. Em seguida entrou no carro com o cone.

A porta do carro estava aberta e o amigo que estava ao volante teria começado a acelerar o carro para fazer com que Lucas deixasse o cone no lugar. "Na hora que fechou a porta, escutei o papoco. Tinha um negócio batendo no meu braço e, quando vi, o vidro estava quebrado e havia pedaço de vidro no carro. Sai e dobrei à direita", relata.

O amigo diz que ficou reclamando com Lucas, mas que ele não respondia e estava com a cabeça baixa. "Quando puxei o braço dele, deu pra ver que estava todo sujo de sangue. Levei ele para o IJF (Instituto Dr. José Frota), peguei a contramão. Foi ligeiro. Coloquei o carro para dentro e foram reanimar", disse. Lucas não resistiu. O tiro havia atingido a cabeça dele. Em seguida, o amigo relata que levou o carro para ser periciado, prestou depoimento na delegacia e a Polícia constatou que os tiros partiram de fora para dentro do automóvel.

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