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Memorial para lembrar as vítimas da Chacina da Candelária acontece nesta noite em Fortaleza

O momento é de "dizer que os meninos e meninas que foram assassinados estão presentes", diz organizadora. Evento acontece a partir das 19 horas no Centro Cultural Belchior

15:28 | 19/07/2018
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Evento em homenagem à memória das vítimas da Chacina da Candelária vai acontecer na tarde desta quinta-feira, 19, em Fortaleza. O Centro Cultura Belchior, na Praia de Iracema, será palco do ato que relembra a morte de oito jovens no Rio de Janeiro no dia 23 de julho de 1993, quando policiais executaram pessoas que estavam dormindo em frente à Igreja da Candelária.

Alessandra Félix, uma das organizadoras da vigília e integrante do grupo de mães familiares de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas do Ceará, explica que o momento é de "dizer que os meninos e meninas que foram assassinados estão presentes". "Vamos pedir visibilidade, atenção e o não esquecimento. A Candelária acabou caindo no esquecimento, né? Vamos hoje para se solidarizar", afirmou.
 
Os memoriais fazem parte do "Movimento Candelária Nunca Mais!", que tem como participante Patrícia de Oliveira, irmã de Wagner dos Santos, uma vítima que escapou da morte no dia do massacre. Patrícia é integrante da Rede de Comunidade de Vítimas do Estado do Rio de Janeiro. Um movimento que luta contra a redução da maioridade penal, o encarceramento e extermínio da juventude negra e pela defesa da democrácia.
 
Hoje, aos 43 anos, Wagner mora fora do País. Após o atentado, ele teve perda parcial da visão e da audição. Em 1994, antes de completar um ano da Chacina da Candelária, Wagner sofreu um novo ataque, mas resistiu novamente.  

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Em uma viagem a Salvador, Alessandra relata que se encontrou com Patrícia e outros integrantes de movimentos e coletivos brasileiros e em uma das pautas eles resolveram se articular pela Candelária. Eles também já haviam firmado parceria para defender Rafael Braga, catador de lixo preso nas manifestações de 2013 por portar uma lata de Pinho Sol.

"Pensamos em trazer pro Ceará o movimento, já que outros estados estavam se mobilizando. Falei pro Jamieson Simões, que é quem está mais à frente da organização e ele topou na hora", comenta. 

A partir das 19 horas, quem desejar se unir para homenagear quem um dia já perdeu sua vida por violência institucional, como foi o caso da Candelária, em que três dos quatro acusados eram Policiais Militar, e do racismo, se encontrará no Centro Cultural Belchior. "Não será um ato, será um memorial". As vigílias também acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Minas Gerais e Pernambuco.
 
 
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