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Canteiros centrais de grandes avenidas em Fortaleza viram espaço para rampas de lixo

O POVO Online visitou seis grandes avenidas e verificou a situação dos canteiros centrais. Da José Bastos à Leste Oeste, lixo, àrvores caídas e até eletrônicos são deixados nos locais

16:33 | 15/06/2018
Homem com roupa suja pega lixo na rua
Homem com roupa suja pega lixo na rua
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Os canteiros centrais das grandes avenidas são pontos estratégicos do espaço urbano. Há lugar para arborizar onde falta verde, é ponte para pedestre que tentam chegar na outra esquina e até "pista" para uma boa caminhada. Em Fortaleza, entretando, virou espaço para rampas de lixo. 

O POVO Online visitou seis grandes avenidas e verificou a situação dos canteiros centrais. Da José Bastos à Leste Oeste, lixo, àrvores caídas e até eletrônicos são deixados nos locais. 

Av. José Bastos

Em toda sua extensão, a José Bastos reflete diferentes estados. No trecho que corresponde ao bairro Rodolfo Teófilo, área onde reúne mais estabelecimentos, a via é limpa. Depois, a vegetação começa a tomar de conta e os primeiros sinais de lixo aparecem à medida que a avenida leva à periferia. 

No bairro Panamericano, isso fica mais evidente. O comerciante Sebastião Medeiros, 50, diz que trabalha na área desde os 15 anos e que o cenário sempre foi o mesmo: de muito lixo. "Aqui sempre foi assim, sempre teve muito lixo. Tá melhor agora que a caçamba tá passando e recolhendo, mas teve época que nem isso. Também tiraram mais mato".

É nessa região da José Bastos onde se concentram estabelecimentos que trabalham com veículos, incluindo lojas, espaços para manutenção e até sucata. 
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Av. Expedicionários

O canteiro central da av. Expedicionários, no bairro Montese, pede manutenção. O veterinário Lázaro Pinheiro, 25, relata que uma das árvores enraizadas na área caiu há cerca de um mês e acabou atingindo um carro e fiações. "Os catadores abrem o saco de lixo e deixam espalhado no chão. É horrível. Além do canteiro todo quebrado. Faz tempo que não passa por manutenção".

A falta de poda das árvores é evidente. Na esquina da Expedicionários com a rua André Chaves, o tamanho das árvores atrapalha quem precisa ver o semáforo para seguir. "Serviço de poda aqui não tem. Só vem alguém quando cai uma árvore", diz o militar aposentado Roberto Gomes, 54. "Aqui tem muito lixo, mas não adianta culpar só a Prefeitura. Se a coleta passa terça, não adianta colocar o lixo no sábado. A população é muito mal educada".
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Av. Treze de Maio e Jovita Feitosa

Bastante lixo concentrado em caixas e sacos de papel e plástico. É a impressão inicial quando se olha para o centro das vias na av. Treze de Maio. Até colchão velho é deixado por moradores. Chegando mais perto da av. Jovita Feitosa, muito entulho chega à vista de
quem passa.
 
Fica até perigoso atravessar, já que a faixa de pedestres está apagada no cruzamento da 13 de Maio com a Rua das Pracinhas - segundo a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), a sinalização horizontal será revitalizada até o fim da próxima semana. O mesmo não se vê no trajeto da Jovita Feitosa, que corta os bairros Parque Araxá e Parquelândia.

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Av. Coronel João Carvalho

Trajeto de quem vai para a Barra do Ceará, o canteiro mais próximo ao Terminal do Antônio Bezerra, na av. Coronel João Carvalho, reúne lixo, entulho, muitos galhos de árvores quebrados e até móveis velhos. Todos os dias o cenário é o mesmo, segundo comerciantes da região, mesmo com a coleta regular da Prefeitura. A conjuntura se repete na extensão da pista. Pneus e até aparelho de televisão entram na lista de coisas descartadas pela população.
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Av. Presidente Castelo Branco

Entre a periferia e a praia, a av. Presidente Castelo Branco, conhecida como Leste-Oeste, é dessas  que reúne caos e sensibilidade. É comum olhar para um lado e se deparar com os sacos de resíduos jogados aos montes nos canteiros. Menos de dois metros depois, é possível perceber jardins improvisados que dão mais graça ao lugar. Tudo ali, entre os bairros Jacarecanga e Pirambu.

Em agosto de 2017, a Prefeitura de Fortaleza lançou o projeto Ecopolos, que incluía 12 lixeiras subterrâneas para o despejo adequado de lixo, além de três Ecopontos. A cidade hoje também conta com 43 Ecopontos, com previsão de que cada bairro tenha um equipamento deste tipo até o 2020. Há menos ou quase nenhum lixo descartado onde há lixeira acoplada, mas o contexto não é mesmo nos trechos onde falta a implementação. 
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A comerciante Mara Abreu, 50, conta que a situação é diferente do que era há um ano. Mas ainda falta esforço e conscientização. "Melhorou muito porque o pedestre não conseguia nem atravessar a rua direito com a quantidade de lixo que tinha antes", aponta a empresária Silvia Costa, 59, que diz que as lixeiras novas são importantes para o descarte regular de lixo em pequena quantidade.

"As pessoas gostam de deixar coisa velha, até sofá velho jogam aí. Só fica limpinho mesmo quando tem fiscalização", avalia. "É questão de educação. Mesmo com o Ecoponto, as pessoas têm preguiça de fazer o descarte da forma certa".
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Lixo em Fortaleza
 
A coleta de lixo doméstico é realizada três vezes por semana na Capital. Responsável pelas políticas públicas de limpeza urbana e zelo das áreas municipais, a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) afirma que os equipamentos podem receber pequenas proporções de entulho, restos de poda, móveis e estofados velhos, além de óleo de cozinha, papelão, plásticos, vidros e metais.

"A gestão municipal orienta a população a não descartar materiais em locais inapropriados e fora do horário, podendo as denúncias de casos como estes serem feitas gratuitamente pelo telefone 156", diz em nota.
 
Em relação às árvores citadas, a Prefeitura comunicou que realiza podas preventiva e corretiva em toda a cidade. Os pedidos de prevenção ou retirada da arborização das vias devem ser feitos à Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor) no telefone 156. O Corpo de Bombeiros (193) atende a demanda de árvores caídas no período noturno, nos finais de semana e feriados. 

Ecopolo Leste-Oeste

A SCSP considera que o Ecopolo Leste-Oeste apresenta resultados positivos, no sentido de transformar o cenário em relação à problemática do descarte irregular do lixo. A pasta afirma ainda que 11 pontos de lixo na área de abrangência do Ecopolo Leste-Oeste deixaram de existir desde a implentação das lixeiras.

Há, inclusive, um estudo da Prefeitura de fortaleza para levar o projeto Ecopolos para a cidade toda. Bairros como Messejana e Varjota estão sendo estudados para receber os equipamentos, além do entorno das avenidas Bernardo Manuel, Fernandes Távora, Jovita Feitosa e Dom Manuel.
 

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