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Fortaleza
Abandono

Parada há 14 meses, obra de expansão do Frotinha da Parangaba completa 10 anos

Cenário é de abandono no galpão onde funcionará o anexo do hospital. Mais recente intervenção custou R$ 4,4 milhões

16:09 | 15/05/2018
(Foto: Mauri Melo / O POVO)
A obra de ampliação do Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira, o Frotinha da Parangaba, completou 10 anos, atravessando duas gestões municipais: a da ex-prefeita Luizianne Lins (PT) e a do atual prefeito Roberto Cláudio (PDT). Desse período, foram sete anos parados. A construção foi retomada em agosto de 2016, durou seis meses e parou novamente em março de 2017. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) não deu prazo para conclusão.

De acordo com o diretor-executivo da unidade, Hildemar Queiroz, "um problema na prestação de contas", identificado pelo Ministério da Saúde, seria o motivo da paralisação. Ele conta que a atual administração municipal ainda tenta prestar contas da gestão anterior. "A ampliação deve seguir com verba da Prefeitura", diz. "Eles (Ministério e Prefeitura) falam que fica pronto ainda este ano, mas ninguém dá prazo nenhum". O POVO Online tentou contato com a última secretária de Saúde da gestão petista, Ana Maria Fontenelle, mas as ligações não foram atendidas. 
 
O investimento inicial foi de quase R$ 4 milhões. A obra mais recente, de 2016, custou exatos R$ 4.480.461,75. Desse valor, R$ 1.255.360,80 é de recurso federal. Com 40 pessoas contratadas para trabalhar na construção, o prazo de entrega era de 180 dias.

Hildemar Queiroz revela que muito da primeira obra foi perdido, e houve necessidade de "desfazer" trabalho anterior. "Havia muita coisa deteriorada. Identificaram desgaste da parte elétrica e roubo da fiação. Hoje, temos dois seguranças para garantir que o que foi feito (há 14 meses) não seja perdido", afirma. 

O diretor do hospital garante que toda a parte de alvenaria e telhado estão concluídos. No galpão visitado pela reportagem do O POVO Online, o cenário é de abandono. Do lado de fora, os muros são pixados. Por dentro, um pedaço de madeira segura os portões.

Galpão onde funcionará expansão (Foto: Mauri Melo / O POVO)
Com o tempo, as necessidades da unidade hospitalar mudaram. E, com a mudança de projeto, muda também a verba. “No último projeto teriam leitos de UTI, mas devido aos 30 novos leitos de UTI no IJF, a nossa necessidade atual é de mais leitos de centro cirúrgico. Nesse novo projeto vai ser um centro cirúrgico pra dar vazão a mais cirurgias traumatológicas e cirurgia geral, e uma emergência maior, além de um setor de mais unidades de terapia intermediária”.

Hoje, o Frotinha da Parangaba conta com 34 leitos de trauma, 15 leitos de cirurgia geral, 11 leitos de clínica médica, duas salas de cirurgia e três leitos de recuperação anestésica. Ainda conforme o diretor, o hospital atende cerca de cinco mil pessoas por mês. Com a expansão, esse número deve chegar a 10 mil pacientes.

Por meio da assessoria, a SMS afirmou que não se posicionaria oficialmente para além da declaração do gestor. A assessoria do Ministério da Saúde preferiu não se posicionar sobre o atraso da obra e afirmou, por telefone, que só pode falar sobre o recurso repassado. O POVO Online questionou sobre o suposto problema na prestação de contas da obra, mas não houve resposta até a publicação da matéria.
(Foto: Mauri Melo / O POVO)

RUBENS RODRIGUES