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Hospital de Messejana promove ação de combate ao vício em cigarro

Campanha é focada na prevenção de doenças cardiovasculares que são causadas principalmente pelo tabagismo

23:36 | 28/05/2018
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No dia 31 de maio é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco. Em comemoração à data, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), promoveu nesta segunda-feira, 28, uma manhã de atividades sobre o tema.

Na área verde do Bosque Eucaliptos, na entrada do HM, foram realizados exames respiratórios e oficina sobre respiração consciente para controle de ansiedade, tudo voltado para as pessoas que estão tentando parar de fumar. 

Na ocasião também foram oferecidas 100 vagas para aqueles que querem participar do Programa de Controle ao Tabagismo. Por meio dele, os pacientes são reunidos em grupos de até 16 pessoas,  e participam de reuniões periódicas para compartilhamento das experiências boas e ruins vividas enquanto eles estão deixando o hábito de fumar. O tratamento tem duração de três meses, período em que os ex-fumantes são acompanhados por uma equipe composta por psicóloga, assistente social, fisioterapeuta e duas médicas pneumologistas.

“Nós vamos orientando os pacientes na quebra de comportamentos relacionados ao tabagismo,” diz Nilcyeli Aragão, médica pneumologista do Programa. Segundo a especialista, a equipe do HM também localiza aqueles que tem maiores dificuldades para parar de fumar, para os quais é prescrito o tratamento com adesivos de nicotina.

“A grande maioria dos que procuram o grupo tem um grau de dependência de nicotina mais elevado, são pacientes que estão com 40, 50 anos, encaminhados por outros médicos por já terem alguma doença relacionada ao hábito de fumar”, explica Nilcely.

O tabagismo é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, que causam infarto, acidentes vascular cerebral (AVC), ou doenças nos vasos do membros periféricos. Essas são também as patologias que mais matam no mundo atualmente. Apesar disso, estima-se que 12% da população brasileira tenha o hábito de fumar cigarros, o que Nilcyeli considera um “valor bem expressivo”.
 
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Eduardo Andrade, 25, começou a fumar aos 12 anos, com amigos. Não gostou muito da primeira vez, mas continuou fumando. O passatempo virou um hábito, e o estudante de jornalismo já chegou a tragar até três maços por dia. “A única coisa que tira meu estresse é o cigarro”, diz. 

O rapaz conta já perdeu namorada e empregos por causa do vício. Ele também já tentou parar sozinho. Conseguiu ficar sem o cigarro por 15 dias mas acabou voltando depois de uma crise de abstinência. Agora ele busca ajuda no Programa do HM. “Já são 13 anos. Eu sinto isso na pele, no dia a dia”, enfatiza.

Liana Ferreira da Silva, 41, diarista, começou a fumar aos 16 anos, acendendo cigarros para outras pessoas. Hoje ela sente os malefícios do vício na própria saúde, com dores de garganta e sensação de cansaço. Ela conta que o marido já largou o hábito há cinco anos, mas ela ainda consome até quatro maços por dia. “Tudo depende da minha ansiedade”, diz.

Quando tinha apenas sete anos de idade, Francisca Rodrigues dos Santos recebeu o primeiro cigarro por indicação da avó. A ideia era amenizar a dor causada pela troca dos dentes “de leite” da da menina. Hoje, aos 65 anos, aposentada, mãe de quatro filhos e divorciada, ela já conseguiu alcançar os primeiros sete meses sem o cigarro. Ela confessa que passou por algumas recaídas durante o tratamento, mas está feliz por ter parado. 

As reuniões ajudam a entender a nova vida sem o “companheiro cigarro”, diz Isabele Assunção Mendonça, psicóloga do Programa. Os pacientes trocam os números de telefones e mantém contato e assistência mútua fora dos limites do hospital. De acordo com ela, esse apoio é importante porque muitos começaram a fumar tão cedo que nem mesmo conhecem ainda uma vida sem o vício. “Eles precisam aprender tudo de novo”, diz Isabele.

Após o tratamento no Programa de Controle ao Tabagismo, cerca de 25% a 30% dos pacientes ainda voltam a fumar. Por isso, a equipe tem de manter o acompanhamento periódico com essas pessoas. Quando a recaída ocorre, eles voltam a buscar o tratamento, diz Penha Uchoa, coordenadora do Programa.

Após um ano sem fumar, os participantes recebem um certificado de ex-fumantes, que serve como motivação e indicativo de que é possível largar o vício.

As inscrições são feitas por recomendação médica, mas pacientes com doenças respiratórias decorrentes do cigarro tem preferência, e pessoas provindas do sistema carcerário não passam por fila de espera, explica Penha.                

Serviço
Programa de Controle ao Tabagismo
 
Onde: Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do bairro Papicu, na Rua Júlio Azevedo, número 1176; no Centro de Saúde do Meireles, na avenida Antonio Justa, número 3113;no Hospital Universitário Walter Cantídio, bairro Rodolfo Teófilo; rua Capitão Francisco Pedro, número 1290; e nos 22 postos de saúde das regionais II a VI de Fortaleza.
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