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Após surdo ser morto por PMs por ignorar ordem de parada, MP cobra direitos da pessoa com deficiência

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informou que determinou a instauração do Processo Disciplinar para a devida apuração dos fatos

19:56 | 04/05/2018
Policiais responderam com tiros após o motociclista Cícero Leonardo dos Santos Silva não responder ordem de parada. O caso ocorreu na última sexta-feira, 27, no bairro Jardim Iracema, em Fortaleza. Após ação dos policiais militares (PMs), o homem foi baleado e socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro Pirambu, mas morreu no local. O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) lançou comunicado em que cobra garantias de direitos a pessoas com deficiência durante abordagens policiais.
 
O POVO Online apurou que Cícero Leonardo seria surdo e morador do bairro Granja Portugal. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que o caso será apurado em inquérito policial. Ainda de acordo com a secretaria, a guarnição apreendeu um revólver calibre 38 com a vítima.

A equipe de segurança se apresentou ao 7º Distrito Policial, no Pirambu, onde prestou depoimento informando que Cícero estava armado e chegou a fazer disparos. Na delegacia, os policiais apresentaram a arma recolhida no fato.
 
No comunicado, o MPCE mencionou diretamente o caso, marcando uma audiência na sede das Promotorias de Justiça Cíveis e Especializadas para discutir sobre "abordagens especializadas" por parte da Polícia Militar e Guarda Municipal. Foram convidados representantes das forças de segurança como também entidades estatais e não governamentais.

Segundo o MPCE, há relatos de outros casos de abordagens desastradas após não ser observada a condição de deficiência do alvo da revista. "Como quando um cadeirante foi abordado e determinado que descesse de um veículo. Ao não obedecer - por absoluta impossibilidade - foi cercado pela polícia", cita.  
 
O POVO Online buscou contato com a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) para comentar sobre o caso. O órgão informou que determinou a instauração do Processo Disciplinar para a devida apuração dos fatos.
 
"Nesta quarta-feira, 2, avocamos o Inquérito Policial para a Delegacia de Assuntos Internos (DAI) para continuar as investigações na seara criminal".
 
Redação O POVO Online
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