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Como protesto, professores da rede pública vestem preto após morte de menina de 4 anos

17:10 | 24/05/2018
Educadoras da Escola Municipal Professor Godofredo de Castro Filho
Educadoras da Escola Municipal Professor Godofredo de Castro Filho
Atualizada às 19h21min
 
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Professores da rede pública de Fortaleza estão de luto pela morte da menina Hannah Evelyn de Andrade Laranjeira, de 4 anos. Ela morreu na manhã dessa quarta-feira, 23, após chão de creche ceder no bairro Ancuri. O acidente aconteceu no Centro de Educação Infantil Professora Laís de Sousa Vieira Nobre. Outras duas crianças ficaram feridas.

Como forma de protesto, professoras da rede pública trabalham de preto nesta quinta-feira, 24. A professora de educação infantil da Escola Municipal Professor Godofredo de Castro Filho, Milena Marques, 42, denuncia descaso na creche da instituição onde trabalha. A instituição, localizada no bairro Serviluz, tem um poço aberto, suscetível a acidentes. 

"Estamos de luto tanto pela criança que faleceu quanto pela situação em que as escolas públicas se encontram. A gente sabe, pelo que contam os colegas, que esse descaso acontece em muitas escolas", expõe. "Aqui tinha problema de eletricidade, mas outras questões não foram resolvidas. Como o vazamento dos banheiros, buracos e as mesas enferrujadas. Na área comum da creche tem um declive onde as crianças costumam cair. São problemas estruturais que precisam ser vistos".

Presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sindiute), Ana Cristina Guilherme destaca a requalificação das escolas como uma das pautas na greve dos professores. "A situação é de abandono. São escolas muito antigas que não passam pelo programa de manutenção anual e que oferecem mais riscos aos alunos e professores que nelas vivem.

"É grave que a Prefeitura tenha deixado chegar nesse ponto. As crianças saem para aprender e não voltam mais para casa. E nos preocupamos também com os professores que são pais e mães de família", afirma a presidente do Sindiute.

Ana Cristina diz que a categoria se reunirá com a Prefeitura de Fortaleza na próxima segunda-feira, 28. "Vamos cobrar um programa de requalificação permanente das escolas e cobrar laudo de órgãos qualificados, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros", destaca. De acordo com ela, 540 escolas da Capital são geridas pela Prefeitura e todas teriam participado do protesto.
 
A Secretária Municipal de Educação (SME) informou ao O POVO Online, por meio de nota, que "desde 2016, foram investidos cerca de R$ 23,5 milhões em reforma e manutenção do parque escolar de Fortaleza. Em 2017/2018, já foram realizadas/estão em execução até então aproximadamente 330 intervenções nos equipamentos educacionais".

"Em junho do ano passado, o prefeito Roberto Cláudio lançou o pacote de requalificação de 200 escolas municipais para o período de 2017-2020, com investimento de R$ 40 milhões. Para o projeto de recuperação do parque escolar, foi realizado diagnóstico que identificou a demanda específica das escolas, o que está norteando as intervenções necessárias em cada equipamento. Esse plano está em execução desde 2017", conclui a nota da SME.
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