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Fortaleza
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Polícia considera "remota" possibilidade de retaliação em homicídio de estudante de Direito

Presos confessaram que escolheram a vítima por ser mulher e estar sozinha no veículo. Pelo menos outros dois membros da quadrilha permanecem soltos

18:49 | 13/04/2018
Cecília, vítima de latrocínio
Cecília tinha 23 anos e era estudante de Direito (Foto: Reprodução)
A dupla presa pelo homicídio da estudante Cecília Raquel Gonçalves Moura, nessa quinta-feira, 12, confessou o crime. Autuados por latrocínio consumado, eles admitiram que o objetivo era roubar o veículo. O crime é investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em parceria com o 13º Distrito Policial, que cobre a área.

Estão presos Leonardo de Lima Nascimento, de 22 anos, com passagem por tráfico de drogas e receptação, e Antônio Honorato Pinheiro Macedo, de 19 anos, com passagem por crime de trânsito. Além do latrocínio, eles foram autuados por adulteração de veículo, receptação e formação de quadrilha. 

De acordo com o delegado Leonardo Barreto, da DHPP, a polícia trabalha preliminarmente com a hipótese de "motivação para fins patrimonais", confessada pelos suspeitos. Perguntado sobre a probabilidade de o crime se tratar de retaliação a um caso relacionado a um familiar da vítima, o delegado diz que a possibilidade é remota, mas que todas as linhas serão investigadas durante os próximos 10 dias restantes para concluir o inquérito.

"Perguntado sobre a escolha do veículo, Leonardo diz que por o vidro estar semiaberto, foi verificado que era uma mulher no veículo e que seria um alvo mais fácil", conta o delegado. "Isso nós entendemos como o triângulo do crime: agente motivado, vítima vulnerável e ambiente favorável". O preso Leonardo Nascimento assume que participou da ação criminosa, mas nega que tenha atirado. Ele também diz não saber o nome dos comparsas. 
 
Delegados Hélio Marques, do 13º DP, e Leonardo Barreto, da DHPP
Delegados Hélio Marques, do 13º DP, e Leonardo Barreto, da DHPP (Foto: Rubens Rodrigues / O POVO)
 

Em perícia realizada na manhã desta sexta-feira, 13, no prédio da DHPP, a Polícia confirmou que o veículo de modelo Prisma, de cor cinza e placa PXV-7642, é clonado. A Polícia também pediu análise de outros vestígios, como DNA encontrado no automóvel.
 
Quadrilha fazia roubos na região

O carro teria sido usado em pelo menos outros quatro assaltos, conforme o delegado Hélio Marques, do 13º DP. "A quadrilha já atuava com intensidade nos bairros Cidade dos Funcionários, Parque Manibura, Edson Queiroz e Sapiranga, com especialidade na prática de assalto. Nós já estávamos investigando", diz o delegado. 

"Montamos um cerco e abordamos quatro suspeitos, com dois sendo presos. Mas não vamos entrar no mérito de quem atirou. Eles são uma quadrilha armada que tdos participam. Além disso, lembrar que o grupo não foi desarticulado. Pelo menos duas pessoas ainda estão soltas", continua o delegado. Os outros suspeitos foram identificados, mas os nomes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações.

O crime

Cecília Raquel Moura foi baleada durante assalto na manhã dessa quinta-feira. O crime ocorreu no bairro Parque Manibura, quando a estudante de Direito, de 23 anos, estava a caminho do trabalho. Ela foi abordada por três suspeitos ainda dentro carro, na rua Vereador Pedro Paulo. Ela foi alvejada na nuca ao tentar fugir. Após o tiro, perdeu o controle da direção e colidiu o automóvel em um muro.
 
A jovem chegou a ser encaminhada ao Instituto José frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Cecília cursava Direito na Universidade de Fortaleza (Unifor) e estagiava no núcleo criminal do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Ceará (MP-CE).

RUBENS RODRIGUES