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Quem é o guarda-vidas que encontrou a obra de Sérvulo Esmeraldo arrastada pela ressaca do mar

José de Alencar foi o primeiro a chegar até a obra, submersa a 4,5 metros. Ele contou ao O POVO Online que, a princípio, não conseguiu ver que era o monumento. Foi tateando enquanto segurava o fôlego embaixo d'água até conseguir identificar o formato da obra

22:35 | 05/03/2018
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Aos 63 anos, dos quais 37 dedicados a salvamentos aquáticos, o guarda-vidas José de Alencar recebeu uma missão diferente na manhã desta segunda-feira, 5: encontrar a obra La Femme-Bateau, de Sérvulo Esmeraldo. O monumento foi arrastado pelas ondas do mar, que estava revolto no último fim de semana em Fortaleza. A maré que levou toneladas de pedregulhos, areia e lixo à Praia de Iracema também carregou a escultura de 400 kg instalada na Ponte dos Ingleses

A obra não foi longe. Como a força da água arrancou até a estrutura de concreto que segurava o monumento, ele ficou preso entre as colunas de sustentação da ponte. Ainda assim, foram necessários dez mergulhadores de resgate do Corpo de Bombeiros e oito guarda-vidas da Guarda Municipal para encontrar o objetivo submerso, que deverá ser retirada do mar somente na manhã desta terça. "Queria ter retirado do mar hoje já, mas, quando a maré veio, levou até a estrutura de concreto que segurava a obra, o que dificultou a retirada", disse Alencar.
 

O POVO Online conversou com José Alencar, o guarda-vidas que encontrou a obra de Sérvulo Esmeraldo.

O POVO Online - Como foi o salvamento?
Alencar - Foi um trabalho em conjunto nosso, da equipe de salvamento aquático da Guarda Municipal (GMF), e do Corpo de Bombeiros. Até por volta de 9h30min, a maré estava alta e a visibilidade estava muito ruim, isso dificultou muito nosso trabalho, mas mesmo assim fizemos a varredura na água. Fomos mergulhando em apnéia (suspensão momentânea da respiração), e tentando encontrar alguma coisa na água. 

O POVO Online - O senhor já tinha visto um mar tão revolto como nesses últimos dias? 
Alencar - Não, nunca. De todo tempo que vou às praias, tanto aqui quanto em outros estados, nunca tinha visto o mar tão violento por tantos dias seguidos. Em janeiro isso é esperado, a Prefeitura costumava até colocar pedras para evitar que a água chegasse ao calçadão, mas dessa vez não não teve jeito, jogou água, areia, pedra e muito lixo para o asfalto. 

O POVO Online - E como o senhor encontrou o monumento?
Alencar - Começamos a mergulhar entre as estacas da Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema. Eu fiquei uma hora mergulhando sem encontrar nada. Até que eu desci e toquei em alguma coisa embaixo d’água, não eram as estacas, senti que era alguma coisa diferente. Como estava ficando sem ar, voltei à superfície. Meu irmão também é guarda-vidas, é o inspetor Ramos, ele estava ao meu lado. Falei para ele que tinha encontrado alguma coisa. Tomei fôlego e desci de novo. A princípio, não vi o monumento, fui passando a mão e vendo o formato, identifiquei que era a popa, só depois vi o “barquinho”, o monumento. 

O POVO Online - O senhor já tinha feito um trabalho de salvamento parecido com esse? 
Alencar - Em 1995, participei das buscas de uma plataforma de perfuração de um farol, em São Luís do Maranhão. Como aqui em Fortaleza, lá também tivemos sucesso, mas não era um barquinho, era uma plataforma gigantesca. 

O POVO Online - Como o senhor se sentiu ao encontrar a obra?
Alencar - Fiquei muito alegre, muito satisfeito, mas foi um trabalho de toda equipe que estava lá, por isso foi tranquilo. Para mim, foi muito gratificante. Queria ter retirado do mar hoje já, mas, quando a maré veio, levou até a estrutura de concreto que segurava a obra, o que dificultou a retirada. Hoje não deu para tirar, amanhã de manhã vai dar certo. 

O POVO Online - E como o senhor escolheu ser salva-vidas?
Alencar - Isso foi em 1980, próximo mês faço 38 anos de profissão. Eu já gostava de mergulhar, trabalhava com isso, ia muito à praia nadar, jogar futebol, e via alguns salva-vidas veteranos em resgate e sempre achava uma profissão gratificante. Alguns amigos meus também era salva-vidas, então eu decidi também ser. E é uma coisa que não tem preço, salvar vidas. Você resgatar uma pessoa da morte de um afogamento, não tem preço, é maravilhoso. Me sinto muito gratificado quando faço um salvamento e a pessoa agradece, porque muitos não fazem isso. É sem palavras, só quem faz sabe, não tem dinheiro que pague. 
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