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Funcionários denunciam que foram proibidos de sair de empresa durante apagão; veja vídeo

Eles ficaram receosos de desconto nos salários e advertências trabalhistas. Denúncia foi feita ao Ministério Público do Trabalho

19:05 | 22/03/2018
Durante o apagão que ocorreu nessa quarta-feira, 21, em Fortaleza e no Norte e Nordeste do País, funcionários da empresa de telemarketing Liq (antiga Contax) foram proibidos de sair do prédio, que fica na avenida Borges de Melo, no bairro Parreão, na Capital. Os relatos foram compartilhados em redes sociais e atingiram 2 mil compartilhamentos ainda no início da tarde desta quinta, 22. Empresa afirma ter tomado a decisão visando o bem-estar dos colaboradores.
 
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Ao O POVO Online, duas funcionárias detalharam o ocorrido. Elas não quiseram ser identificadas por recearem represálias trabalhistas. “Os computadores não desligaram (com a queda de energia), e a gente teve que continuar atendendo. Começou a ficar muito quente mas só algumas janelas foram abertas. Sem luz, não dava pra digitar e a gente suspendeu o atendimento. Mas fomos proibidos de sair”, relata uma. 
 
[SAIBAMAIS] 
No vídeo, uma pessoa aparece sendo atendida em cadeira de rodas. Em meio ao choro de alguns, outra funcionária desmaiou, sofreu convulsão e foi socorrida no chão. “Essa empresa é uma baixaria”, declara uma mulher na gravação. Apenas algumas luzes de emergência funcionaram.

“O pior foi ver as pessoas passando mal, no escuro. Meu setor fica bem ao lado de um gerador. Tinha muita fumaça e um cheiro insuportável de querosene . Decidiram fechar as janelas, mas a gente não aguentou o calor. Foi um terror. Tô com medo de trabalhar hoje”, relata uma atendente, criticando a má estrutura. Os funcionários não tiveram permissão para deixar o local de trabalho e, segundo eles, havia probabilidade de descontos nos salários, pelas horas não trabalhadas, além de advertências que poderião culminar em demissão. 

“A gerente queria que continuássemos em atendimento, após às 16 horas. Somente às 19 horas, com a indignação dos operadores, os coordenadores pediram que a gente descesse. Tenho transtorno de ansiedade e síndrome do pânico adquiridos dentro daquela empresa. Me faltou ar, e saí de lá desacordada. Me colocaram em uma maca e me levaram até o subsolo do prédio. Lá, tinha táxis disponíveis pra levar a gente à emergência de um hospital”, contou outra, em entrevista. 
 
Grupo de funcionários da empresa decidiu reportar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A denúncia foi realizada anonimamente, através do sistema de peticionamento eletrônico do MPT. Até o final do dia, a denúncia será distribuída a um dos procuradores do Trabalho, e será instaurado procedimento investigatório para esclarecimento dos fatos e adoção das medidas cabíveis. 

Via assessoria de comunicação, a Liq informou ter adotado “ações imediatas, visando o bem-estar dos seus colaboradores”, e prestado pronto atendimento aos que apresentaram mal-estar. “A Companhia reforça ainda que avalia constantemente melhorias voltadas para o conforto e segurança dos seus colaboradores”, finalizou a nota.
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