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Fortaleza
Após incêndio nos Correios

"Se tivéssemos duas ocorrências ontem, teríamos passado vergonha", diz presidente de associação

900 bombeiros cobrem Fortaleza e Região Metropolitana. Ao todo o Ceará tem 1.600 militares

13:58 | 14/02/2018
Atualizada às 15h14min
 
Um questionamento foi levantado após o incêndio que atingiu o Centro de Triagem de Cartas e encomendas dos Correios (CTCE Fortaleza), na terça-feira de Carnaval, 13, na av. Oliveira Paiva: o efetivo do Corpo de Bombeiros no Estado é suficiente? Para a ocorrência em questão, foram encaminhados ao local 10 viaturas do Corpo de Bombeiros com cerca de 40 homens. Esses carros são os que existem para atender as demandas da Capital e Região Metropolitana. 
 
(Foto: Julio Cesar / O POVO)
 
 
De acordo com o presidente da Associação dos Profissionais da Segurança (APS) sargento Reginauro Sousa, além de todas as viaturas existentes terem sido encaminhadas para o incêndio, o efetivo estava desfalcado. “É para se trabalhar com 6 homens no mínimo em cada viatura, ontem tínhamos 3 e no máximo 4”. 

O desfalque está relacionado com a “Operação Carnaval”, pois  o comando precisou enviar militares da Capital para cobrir as cidades do interior, devido à falta de bombeiros. Reginauro Sousa explica que os bombeiros “sempre” realizaram as operações de Carnaval, mas que neste momento não há pessoas suficientes dentro dos batalhões. 
 
O presidente também aponta que o efetivo dos bombeiros é o pior do Estado. Reginauro diz que foram anunciados turmas de mil militares da Polícia Militar, mil agentes penitenciários, curso em andamento da Polícia Civil, e nada em relação ao Corpo de Bombeiros. “Se tivéssemos duas ocorrências ontem, teríamos passado vergonha”.  
 
(Foto: Julio Caesar/O POVO)
 
O sargento explica que há uma crise dentro do Corpo de Bombeiros e que a cada ano se “perde” mais militares, pois muitos se aposentam ou passam em outros concursos. “O efetivo dos bombeiros é basicamente o mesmo de quando eu entrei há 23 anos. São aproximadamente 1.600 homens para atender o Ceará”. Sousa destaca que, de acordo com a lei, é preciso 3.600 bombeiros para cobrir o Estado. 
 
 
Sousa ressalta que há mais de um ano o governo anuncia que irá convocar a segunda turma do Corpo de Bombeiros. “Já faz dois anos que o governador chamou a primeira turma, cerca de 270 militares. Mas temos 748 aprovados no último concurso, que está vigente”. Ele reafirma que a convocação dos últimos bombeiros não supre a necessidade. 

Em nota, o Corpo de Bombeiros deu a seguinte explicação: 
 
Acerca dos questionamentos, o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará informa que das 10 viaturas que estiveram presentes ontem (13) no incêndio do Centro de Triagem de Cartas e Encomendas dos Correios, 07 são viaturas de combate a incêndio oriundas de parte das unidades da capital e Região Metropolitana, 01 viatura de salvamento que fica de prontidão no quartel do Cambeba, 01 resgate (ambulância) do Quartel Central e uma viatura de apoio com o Coordenador de Operações. O procedimento que culmina no envio de qualquer viatura para o atendimento de ocorrência sempre passa pelo crivo de um oficial superior de serviço na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS) e leva em consideração a localização do sinistro, tamanho, urgência e disponibilidade das viaturas disponíveis. O incêndio em tela foi controlado cerca de uma hora após a chegada das primeiras equipes e o envio de reforço é comum em casos como esse para dar celeridade ao atendimento nas etapas seguintes como a de ataque, extinção do fogo e rescaldo. Certamente, as viaturas que se encontravam no local estavam disponíveis no momento do incidente e poderiam ser acionadas ou relocadas para qualquer outro incêndio simultâneo, caso viesse a surgir. Não se concebe uma viatura parada/inoperante num quartel se há uma real necessidade de emprego da mesma. Ainda assim, viaturas de combate a incêndio do Quartel Central (Jacarecanga), Conjunto Ceará e Horizonte não foram deslocadas no intuito de cobrir outros possíveis chamados. Desta forma, não foi utilizada toda frota e efetivo da capital e região metropolitana, conforme informado pela APS à equipe do O Povo. O efetivo de serviço na RMF era de 180 bombeiros militares, e 40 pessoas (empregadas no incêndio dos Correios) corresponde a cerca de 22% do total.

Em relação ao concurso, o edital do mesmo previa 270 vagas para praças e 30 vagas para oficiais e todas foram preenchidas, tendo ocorrido o Curso de Formação Profissional no ano de 2015, na Academia Estadual da Segurança Pública. Ainda assim, aproveitando este último certame, o Governador do Estado anunciou recentemente que chamaria mais 275 bombeiros para que iniciem o Curso de Formação ainda neste semestre. Há também, por decisão do Secretário da Segurança Pública, um estudo que prevê a longo prazo a quantidade de bombeiros que irá sair em decorrência do cumprimento dos seus trinta anos de serviço, de forma a repor este efetivo. É fato que o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará passou um longo tempo nos últimos anos com um baixo ingresso de pessoal, o que acarreta no pequeno aumento do seu efetivo, se comparado a 23 anos atrás (de 1450 bombeiros para 1623, atualmente), mas é notório o alto investimento por parte do Governo do Estado para reparar essa situação tanto na aquisição de novos e modernos materiais/viaturas como no aumento de recursos humanos. Quanto à Lei de Fixação de Efetivo, esta prevê o efetivo máximo não de 3600 bombeiros (como informado pela Associação dos Profissionais da Segurança), mas sim de 3820 para o estado do Ceará.

Por fim, não há como comparar o efetivo de Corpo de Bombeiros com demais forças de segurança como a Polícia Militar e Polícia Civil, haja vista que são atividades completamente distintas. Lembrando que o CBMCE sempre teve o menor efetivo, realidade esta que se reflete em outros estados da federação.

Deixamos claro que o Corpo de Bombeiros é uma instituição que preza pela preservação da vida, do patrimônio e do meio ambiente, que trabalha segundo os princípios da legalidade, da ética, da transparência e do emprego racional da sua força operacional através do estudo de dados técnico-cientifícos e se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos. Não negamos o real desejo de sempre aprimorar nossos serviços e de buscar reforços e melhorias para a corporação. O Governo tem se mostrado sensível às nossas demandas e busca, dentro do que prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal, garantir melhores condições de trabalho aos nossos bravos Soldados do Fogo.

MARCELA BENEVIDES