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Grupo de extermínio formado por PMs estaria por trás do assassinato de frentista em 2015

Dois carros teriam participados do sequestro de Rodrigues. O dono do Posto Ceará, hoje considerado fugitivo, estaria no carro do sargento Haroldo. O outro carro era uma viatura da PM de Maracanaú

21:10 | 26/02/2018

O sequestro seguido de morte do frentista João Paulo Sousa Rodrigues, então com 20 anos, ocorrido em 2015, ganhou novo capítulo após o retorno à prisão dos policiais militares Haroldo Cardoso da Silva, Francisco Wanderley Alves da Silva, Antônio Barbosa Júnior e Elidson Temóteo Valentim.

O POVO Online apurou que segundo as investigações os militares envolvidos no crime fariam parte de um grupo de extermínio.

No dia do crime, 30 de setembro de 2015, dois carros participaram do sequestro de Rodrigues. O dono do Posto Ceará, hoje considerado fugitivo, estaria no interior do Palio de placa HYA-4965, de propriedade do sargento Haroldo. O outro carro era uma viatura da PM de Maracanaú, que deu suporte à ação criminosa. "Durante o ano do crime, foi a única vez que a viatura esteve em Fortaleza", informou uma fonte que não quis se identificar.

A hipótese da mãe de Rodrigues, de que o filho foi alvo de uma injusta vingança por conta de assalto ao posto, é compatível com a apuração da reportagem. A quantia roubada do Posto Ceará foi de R$ 15 mil. Desconfiado do frentista Rodrigues, uma vez que ele já trabalhou em outro posto assaltado cinco vezes, Severino teria se vingado. "Ele pediu para que nenhum dos frentistas procurassem a Polícia, porque ele próprio iria dar uma solução", disse a fonte.

Severino responde por quatro homicídios: dois deles em Fortaleza, um em Caucaia e outro em Boa Viagem.

Mesmo presos, os policiais estão na ativa, lotados no 14º Batalhão, em Maracanaú. Não foram expulsos da PM. O sargento Haroldo é o único que está na reserva.

Procurada para comentar o caso, a Polícia Militar afirmou: "Sobre esse fato, a Polícia Militar do Ceará não vai emitir nenhum tipo de juízo de valor. O fato já se encontra em poder da Justiça e do Ministério Público".

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) também não deu retorno até o momento desta publicação sobre a existência de uma milícia dentro da PM.

O advogado Alexandre Lima da Silva está na defesa dos quatro policiais envolvidos. Ele afirmou que não irá repassar informações à imprensa por enquanto. "Hoje estive com os quatro. Eles se apresentaram espontaneamente. Como são pais de família, a gente quer evitar essa coisa de 'leva e traz'. Vamos provar que nada disso aconteceu", limitou-se a afirmar.

 

O promotor de Justiça responsável pelo caso, Marcos Renan, alegou que, por enquanto, também não falará com a imprensa para não prejudicar o processo de investigação.  

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