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"Deus está fazendo Justiça", diz mãe de frentista após prisão de PMs

Margarida de Sousa diz que seu maior presente de aniversário seria saber onde está o corpo do filho

20:15 | 26/02/2018

Passados dois anos e cinco meses do sequestro e morte do filho, o frentista João Paulo Sousa Rodrigues, a mãe, Margarida de Sousa, guarda esperanças de encontrar seu corpo e enterrá-lo. "Todo mundo que morre merece um canto digno", disse a auxiliar de serviços gerais.

Para ela, a volta dos policiais militares Haroldo Cardoso da Silva, Francisco Wanderley Alves da Silva, Antônio Barbosa Júnior e Elidson Temóteo Valentim à prisão, confome noticiado pelo Blog do Eliomar, representa que "Deus está fazendo Justiça". Margarida confessa que esta segunda-feira é marcada pelas lágrimas. "Estou chorando muito hoje pela dor da perda e pela alegria de eles terem voltado à prisão", desabafa.

[SAIBAMAIS] 

A volta dos policiais à cadeia foi determinada dia 20 de fevereiro pela juíza da 1ª Vara do Júri, Danielle Pontes de Arruda Pinheiro. A medida foi tomada após pedido do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça do Júri.

Num esforço para recordar algum fato que poderia ter levado ao crime - em um primeiro momento, Margarida afirmou que não fazia ideia do porquê -, a mãe recorda que fazia pouco tempo que Rodrigues trabalhava no Posto Ceará, localizado no bairro Parque Santa Rosa, onde a empresa foi assaltada. "Alguém que trabalha lá dentro pode ter acusado ele. Aí fizeram uma represália", supõe.

Conforme Margarida, ele era uma pessoa calada, "na dele". "Ele chegava do trabalho e ficava no quarto dele, com a esposa e a filha", afirma.

Prestes a fazer 43 anos, que serão completados no próximo dia 15, a mãe do frentista, que trabalha em uma escola em Fortaleza, diz que seu maior presente de aniversário seria saber onde está o corpo do filho. "Quero que Deus toque o coração deles (dos policiais) e eles digam onde está meu filho. Quero! Não teria presente melhor. A dor da perda é grande. Ainda mais quando você perde uma pessoa que não tinha nada de errado", clama a mãe.

Embora presos, os policiais estão na ativa, lotados no 14º Batalhão, em Maracanaú. Não foram expulsos da PM. O sargento Haroldo é o único que está na reserva.

O promotor de Justiça responsável pelo caso, Marcos Renan, informou por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público do Estado que, por enquanto, não falará com a imprensa para não prejudicar o processo de investigação. A medida que o processo for evoluindo, ele atenderá à reportagem, informou a assessoria do órgão.

Defesa

O advogado Alexandre Lima da Silva está na defesa dos quatro policiais envolvidos. Ele afirmou que não irá repassar informações à imprensa por enquanto. "Hoje estive com os quatro. Eles se apresentaram espontaneamente. Como são pais de família, a gente quer evitar essa coisa de 'leva e traz'. Vamos provar que nada disso aconteceu", limitou-se a afirmar.

Na última vez em que foi visto, em 30 de setembro de 2015, João Paulo entrava, algemado, em um carro com quatro homens que, de acordo com a investigação da Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da Controladoria Geral de Disciplina (CGD) seriam os PMs. Uma câmera de vigilância flagrou a ação.

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