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Análise: Um Estado que recua

15:14 | 16/01/2018
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A submissão do Estado aos grupos criminosos, por qualquer argumento que o valha, mediante ameaças, é sintomática. Em larga escala, os internos do sistema penitenciário do Ceará, hoje, já são divididos por facção. Cada um dos grupos tem uma unidade para chamar de sua. Desafetos não entram. De seus “redutos”, irônica e sabidamente mantidos pelo Estado, comandam o que se passa aqui fora e dentro de outros prédios públicos. Decidem, por exemplo, sobre a permanência de presos em determinadas delegacias ou cadeias públicas, como em Senador Pompeu, conforme O POVO Online mostrou.

É lamentável que as autoridades cearenses se dobrem diante de ameaças. Casos como esse deveriam servir como exemplo prático do discurso governamental, reiteradamente repetido, de que “o Estado não vai recuar um milímetro sequer no combate à criminalidade”.

Ora, o mínimo que deveria ter sido feito, então, era assegurar a integridade física do preso em questão, não necessariamente o removendo da cidade. Depois, que a Polícia Civil investigasse, identificasse e prendesse mandantes e autores dos atentados. Que não recuassem! Dessa forma, didaticamente, estaríamos demonstrando que não há, de fato, possibilidade de recuo. Que ações semelhantes não seriam toleradas e que o Estado é soberano.

O que vimos, porém, foi justamente o contrário. Ao ceder à imposição criminosa, ainda que para resguardar a vida do preso ameaçado, o recado dado é que o Estado não pode, sequer, garantir a integridade de alguém que está sob a sua tutela. Incentiva, ainda, novas imposições. É lamentável. Devemos reconhecer, contudo, que seria muito otimismo esperar outra postura das autoridades de Senador Pompeu, enquanto o exemplo dado pelo próprio Estado aponta em outra direção: a do recuo.

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