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Fortaleza
Violência

Sensação é de medo entre usuários da linha de ônibus Antônio Bezerra-Messejana após tragédia

Passageiros, guardas municipais e funcionários do terminal de Messejana relataram ao O POVO Online que assaltos são recorrentes em pelo menos três linhas que saem do local

11:03 | 12/01/2018
Atualizada às 14 horas
 
A primeira manhã após a tragédia na linha de ônibus que liga os terminais dos bairros Antônio Bezerra e Messejana, ocorrida na tarde dessa quinta-feira, 11, foi de medo entre os usuários do transporte coletivo. Passageiros, guardas municipais e funcionários do terminal de Messejana relataram que assaltos são recorrentes em pelo menos três linhas que saem do local.
 
Nessa quinta, dois passageiros da linha de ônibus Antônio Bezerra / Messejana foram mortos dentro do coletivo após tiros serem disparados quando um homem pulou a catraca na altura do viaduto da avenida Frei Cirilo. Ele foi uma das vítimas, além da professora Alexandra Assunção dos Santos, de 34 anos.
 
Passageiros embarcando em ônibus no terminal de Messejana
Crime na linha 026 deixou duas pessoas mortas na noite dessa quinta-feira, 11 (Foto: Mauri Melo / O POVO)
A farmacêutica Claudiane Silva, de 27 anos, pega a linha 026 há pelo menos quatro anos. "Todos os dias a gente vê gente pulando a catraca. A gente fica assustada, né?". Ela conta que foi vítima de assalto, no último dia 2, na mesma linha. "Eles subiram aqui e desceram próximo ao Frotinha de Messejana. Um deles estava com pistola e anunciou o assalto", diz a fortalezense que perdeu o celular na ocorrência.

"É B.O por cima de B.O. É o quinto assalto que eu presencio em ônibus saindo desse terminal", relata a farmacêutica.

Assim como outros usuários ouvidos no local, na manhã desta sexta-feira, 12, Claudiane diz que apenas parte dos criminosos embarcam no terminal, enquanto outros sobem no trajeto. 
 
Uma das passageiras ouvidas pela reportagem falou que um medo que ronda os usuários é o de ficar "marcado" pelos criminosos. "Existem dois rapazes conhecidos por entrar e meter a mão nas bolsas",disse a senhora que pediu para não ser identificada. "Ninguém pode dizer nada". Outra passageira ouvida pela reportagem relatou o medo de "ficar marcada".

O vigilante Laerte Cavalcante, de 34 anos, diz que apesar da sensação de insegurança, também tem visto mais policiais nas ruas. "Tem muita gente entrando na Polícia por concurso, mas a violência tá grande mesmo, e continua aumentando", desabafa. 
 
Laerte, que usa a linha ocasionalmente, diz que o exemplo de grandes avenidas de Fortaleza, como a Bezerra de Menezes, poderia ser replicado na cidade. "Existem lugares com dois, três policiais em pontos estratégicos. É esse tipo de trabalho que falta". 
 
Dos outros passageiros ouvidos pelo O POVO Online, três relataram ter sido vítima de assaltos em linhas que partem do bairro só nos últimos dois meses de 2017. Desses, um falou que presenciou mais de uma ocorrência.  
 
Um guarda municipal que trabalha no local contou ao O POVO Online que, além da 026, outras duas linhas também apresentam episódios recorrentes de assaltos. As linhas são 315 - Messejana / Parangaba e 600 - Messejana / Frei Cirilo / Expresso, conforme denunciam os passageiros. "Nós fazemos baculejo recorrente nas filas, mas nunca encontramos ninguém armado. Geralmente sobem duas pessoas aqui no terminal, que pegam ônibus e, no meio do caminho, ligam para os comparsas". 
  
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) diz que lamenta o crime ocorrido nessa quinta-feira e que repudia qualquer ato de violência que coloque em risco a vida dos passageiros. "Os 2.393 ônibus pertencentes ao sistema urbano e metropolitano possuem câmeras internas, que contribui com o trabalho da polícia", diz a nota.

O Sindiônibus informou ainda que conta com o apoio da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que diariamente realiza abordagens aos veículos. Contatada, a pasta afirma que a segurança dentro dos terminais é realizada pela Polícia Militar.

A PM informou que o policiamento no terminal de Messejana é realizado por três policiais militares todos os dias, de acordo com o comandante do 16º Batalhão Policial Militar, na Área Integrada de Segurança 03 - AIS03. A informação é diferente da que a reportagem colheu no local.

"A PMCE ressalta a importância do registro de boletins de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil competente para a apuração dos crimes e o apoio da sociedade através de denúncias com dados que possam elucidar as investigações de crimes e a identificação de seus autores", diz a nota.

Ainda conforme a PM, as viaturas do Policiamento Ostensivo Geral (POG) com apoio do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (Raio), reforçam o policiamento nas mediações do terminal assim como em todo o bairro. (Colaborou: Alexia Vieira) 
 

RUBENS RODRIGUES