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Depois de ter uso do nome social no Enem negado duas vezes, cearense elogia tratamento no primeiro dia de prova

O fato é motivo de grande felicidade para Ana. Ela diz que é importante que homens e mulheres trans, assim como travestis, sejam chamados pelo nome social

13:20 | 11/11/2017
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[FOTO1]Ana Flávia Sampaio Castro, de 22 anos, acordou cedo, separou o que precisava e chegou no horário certo. Não só a prova e a redação lhe causavam ansiedade no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Uma das 13 pessoas transgêneros que conquistaram o direito de usar o nome social para realizar a prova do Enem no Ceará, havia uma expectativa de como seria acolhida.

A garantia do direito não veio fácil. Integrante do projeto TransPassando, que atua na integração de pessoas LGBTQI – sigla que inclui, além da orientação sexual e identidade de gênero, perspectivas teóricas e políticas sobre Estudos Queer – na sociedade, Ana conta que teve o pedido para usar o nome social negado quando fez a inscrição.

Com uma amiga, recorreu da decisão, novamente sem sucesso. A surpresa, segundo conta a cuidadora de idosos, veio quando foi realizar a impressão do cartão de prova, poucos dias antes do Enem.

No documento, que contém informações como local de prova e é necessário para os candidatos entrarem na sala, ela se deparou com seu nome social. 

Uma boa surpresa. Assim como o dia da prova. “Quando eu cheguei, o chefe de sala já me reconheceu, me tratou pelo meu nome social, parecia que ele já me reconhecia de outro canto, eu até fiquei meio assim: ‘valha, o que é que está acontecendo?’. Tudo foi muito respeitado”, relata Ana em entrevista ao O POVO Online.

O único problema relatado pela cuidadora de idosos foi na hora da redação. Na folha, no local do nome, constava o seu nome civil. “Mas na assinatura eu coloquei a qual eu realmente me identifico: Ana Flávia Sampaio Castro. Mas foi bem tranquilo, não tenho nada a reclamar, só achei estranho e não ruim. Hoje eu sou bem tranquila com isso”.

Ana reafirma a importância do uso do nome social de homens e mulheres trans, assim como travestis. E, embora reconheça essa conquista, entende que isso ainda é pouco. “Eu acho que a classe política poderia fazer mais por essa população, porque eu não estou fingindo ser a Ana Flávia. É uma identidade pela qual eu me empoderei. Não tem como eu ser a pessoa que há anos atrás eu fui, porque não condiz mais comigo”, afirma a mulher, sobre a difícil aceitação ainda existente sobre o nome social.

A prioridade de Ana, em caso de aprovação no Exame, é o curso de  Enfermagem, mas também revela ter afeição com as Ciências Humanas. Se tudo der certo para a jovem, ela diz não temer possíveis situações de preconceito dentro da Universidade. Ao contrário de instituições particulares, ela sente que nas públicas, Universidade Estadual do Ceará (Uece) e UFC, “as pessoas são mais tranquilas”. Na Uece, já fez cursinho, onde foi muito bem recebida.

Para o próximo domingo, 12, segundo dia de prova, ela guarda expectativas, já que no primeiro dia diz ter ido bem.

 

 

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