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Estudantes denunciam "curso fantasma" e reivindicam reembolso após seis meses sem aula

Estudantes pagaram R$ 450 pelo curso de 20 horas/aula voltado para Engenharia

11:31 | 04/10/2017
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[FOTO1]Procurar por especialização é o caminho de muitos estudantes que buscam qualificação para o mercado de trabalho. Nas áreas de Engenharia e Arquitetura não é diferente. Para alunos que se matricularam na empresa Desenvolvimento da Inteligência Humana (DIH), que vendia cursos de especialização nessas áreas, o investimento virou transtorno. Eles denunciam que estão há seis meses sem aula e que as tentativas de contato com a direção não foram atendidas.

É o caso do estudante de Engenharia Civil Marcelo Carvalho, de 24 anos. Ele afirma que optou pelo curso de "Custo e Orçamento de Obras" e foi incentivado pela empresa a contratar também o curso de "Gestão de Projetos com MS Project". O investimento total foi de R$ 800 pago à vista.

Ambos os cursos deveriam ter começado em fevereiro último, mas apenas o primeiro começou e com atraso de um mês. De acordo com Marcelo, apenas duas aulas foram realizadas. Alunos que compõem uma turma de seis pessoas informaram que as aulas posteriores foram canceladas por várias semanas. A suspensão era justificada por funcionários da DIH por motivos diversos como "falta de energia", "reforma", "manutenção" e até falta de professor.

"Eu tirei esse dinheiro do meu bolso e ficou pesado para mim. Imagino que seja difícil para outras pessoas que também se matricularam porque somos todos estudantes. Não houve compromisso da empresa", relata Marcelo. 

O jovem fez várias ligações para a diretora-executiva, Márcia Castelo Branco, desde o dia 18 de agosto deste ano, que foram gravadas por um celular. As gravações foram cedidas ao O POVO Online, mas não serão divulgadas para preservar as pessoas envolvidas no caso. 

No último dia 12, Marcelo conseguiu falar com a diretora-executiva da DIH, que deu o prazo de duas semanas para resolver a situação do estudante. Quando perguntada sobre a localização da empresa, ela desconversa e diz apenas que a escola está em fase de transição para ensino à distância.

Márcia só retomou o contato com o estudante na última segunda-feira, 2, após a reportagem tentar contatá-la. Pelo WhatsApp, ela justificou ao aluno que a "reformulação" da empresa "dificultou a busca pelos arquivos". Ela afirma ainda que apenas presta serviço e que não teria autonomia para tomar decisões. Ao estudante, disse que a empresa deve "retomar as atividades no fim do ano". 

Marcelo Carvalho diz ter feito Boletim Eletrônico de Ocorrência contra a empresa na última segunda-feira. O POVO Online contatou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que ficou de responder nessa terça-feira, 3. 

"A empresa sumiu"


Nayara Almeida, uma das estudantes ouvidas, afirmou que já estudou na DIH anteriormente e não enfrentou problemas. "Na verdade, meu irmão passou por isso. Meus pais o matricularam em um curso que nunca aconteceu", conta. "Não chegamos a denunciar à Polícia porque tentamos negociar, mas enquanto estávamos sendo compreensivos, a empresa sumiu".

Pedro Holanda, de 22 anos, diz que chegou a ser avisado pela diretora que o curso de 20 horas/aula atrasaria por conta de feriados. "Depois disso não consegui falar com ela por um tempo. Foi a primeira vez que ela sumiu", relata. "Dois meses depois ela ligou falando de problemas familiares e que o responsável não conseguiria gerir a instituição. (Ela) me pediu para não ir atrás da devolução do dinheiro e que ofereceria complemento para as aulas". 

O estudante diz ainda que a gestora se recusou a enviar a oferta formalmente por escrito. Desde então, ele não conseguiu mais contatar a empresa.

Estudante de Engenharia Civil no Instituto Frederal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Lívia Macêdo, de 24 anos, chegou a contatar um advogado sobre o caso, mas desistiu de levar à Justiça. "Fico chateada porque investi um valor e não tivemos aula. Senti o descaso da empresa", desabafa. Os estudantes que optaram por se matricular em apenas um curso pagaram R$ 450.

O que diz a direção
 
Procurada pelo O POVO Online, Márcia, que se identifica como administradora e  consultora de empresas, afirmou que "devido a questões internas, ficou acordado com os seis alunos" que o treinamento fosse adiado. "Percebemos que precisávamos de mais tempo e pedimos novamente um prazo para organizar as questões", afirma.

A gestora informou que decidiu aumentar a carga horária de 20 para 30 h/a, e que ao tentar remarcar as aulas, "a maioria dos alunos não poderia comparecer alegando que era época de prova". Ainda de acordo com ela, a empresa sugeriu que os contratantes retornassem o contato para remarcar as aulas ou trocar de curso.

"Nos comprometemos a dar outro treinamento que esteja ocorrendo independente do valor, dando o direito de ser transferido para terceiros", diz a diretora-executiva. "A empresa desde o mês passado está passando por um processo de regularização e mudança de endereço. A previsão para o término da estrutura é para o fim deste ano".


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