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Vídeo registra fungo nas paredes do centro cirúrgico do Hospital de Messejana

Além da precariedade das instalações que expõe os pacientes a riscos, entidades denunciam falta de medicamentos e equipamentos, atraso no pagamento de profissionais e suspensão de convênios com rede privada de saúde

15:45 | 22/09/2017
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Ofício a uma dúzia de parlamentares foi enviado pelo Sindicato dos Médicos do Ceará nesta quinta-feira, 21, solicitando providências à saúde da população. Entre os principais problemas apontados, a entidade destacou as dificuldades em atendimentos no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.

 

Em vídeo gravado esta semana, por médico que não quis ser identificado, é possível ver fungos nas paredes; e lagartixa em sala de cirurgia da unidade. O profissional, que acabara de fazer cirurgia de ponte de safena, detalha as condições. “Interessante a educação daquela lagartixa, olha: se manteve quietinha lá. Espero que tudo corra bem”, ironizou. Confira o vídeo *:

 

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O Sindicato, em parceria com a Associação Médica Cearense (AMC), detalhou no início deste mês o acúmulo de pacientes nos corredores do Hospital de Messejana. Eram 69, só perdendo para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que acumulava 120.


Além disso, em documento enviado aos parlamentares, o Sindicato denunciou “persistente” falta de equipamentos e medicamentos, não realização de cirurgias e precariedade das instalações. Também foram pontuados os atrasos superiores a 90 dias no pagamento de profissionais que prestam serviços à Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) através das cooperativas médicas (como especialistas em Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria), “com risco de encerramento da prestação do serviço à população”.

 

“Além do corpo clínico e estrutura insuficientes, a estrutura está assim precária, insalubre. Isso é grave. Um centro cirúrgico com paredes repletas de fungos agravam os riscos de infecção para o paciente – já exposto à complexidade do procedimento. A presença de qualquer inseto e de réptil em ambiente hospitalar, é inadmissível pela possibilidade de veiculação de doenças”, critica a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro.
 
Outras entidades

Como O POVO noticiou nesta quinta-feira, 21, o Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) enviou ofício ao Governo do Estado, na última quarta-feira, 20, demonstrando preocupação com o crescimento das listas de espera de pacientes para cirurgias cardíacas na unidade.

 

A Cooperativa dos Médicos Cirurgiões Cardiovasculares e Torácicos (Coopcardio) protocolou no último dia 15, junto ao Ministério Público, outra denúncia relatando a mesma situação.

 

A suspensão de procedimentos eletivos ou de menor gravidade em hospitais da rede privada credenciada estaria, segundo o Cremec, superlotando o Hospital de Messejana, referência no diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas destacando-se por ser o único centro médico do Norte e Nordeste a realizar transplante de pulmão. Hospitais Batista, Prontocárdio e Antonio Prudente tiveram o convênio com o SUS suspenso, segundo o Sindicato.

 

Governo

A Sesa respondeu, em nota, que está tomando “todas as providências necessárias para regularizar o repasse das remunerações aos profissionais de cooperativas”, mas diz que o atraso não chega a 90 dias.

 

Sobre o Hospital de Messejana, a secretaria apontou que o Governo do Ceará mantém “ações contínuas de melhorias do acesso à saúde”, com expansão do setor de Emergência, com 48 leitos, e obras encaminhadas para mais 48.

 

A pasta não informou, todavia, cuidados com os atuais problemas infraestruturais e soluções para a compra materiais e medicamentos, como alegado por médicos da unidade.

 

Prefeitura

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou, em nota, que as cirurgias cardiovasculares ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão sendo realizadas pelo Dr. Carlos Alberto Studart (Hospital do Coração de Messejana). "A SMS esclarece ainda que os serviços disponíveis para o SUS estão normalizados e em fase de ampliação, através de chamamento público, que está andamento, para áreas diversas, incluindo a cardiologia", completa.

 

* O POVO Online retirou o áudio para preservar o profissional que fez o registro.

 

 

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