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Três dos seis irmãos resgatados prestam depoimento sobre suposto cárcere privado

Pai acusado de manter filhos em cárcere não foi preso. Delegada mantém cautela sobre o caso se tratar de situação de cárcere privado. Empresário pode ser enquadrado por abandono intelectual

19:45 | 28/08/2017
Empresário é visto com celular na mão em cômodo
Empresário é visto com celular na mão em cômodo
[FOTO1]Três das seis crianças supostamente mantidas em cárcere privado pelo próprio pai prestaram depoimento na tarde desta segunda-feira, 28, na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa). Foram ouvidos o menino de 10 anos e as irmãs de 14 e 17 anos. Com exceção da filha mais velha, que está com um familiar, todas as outras crianças estão em abrigo. O POVO Online optou por não divulgar o nome do pai para preservar as crianças envolvidas.
 
De acordo com a titular da Dececa, delegada Ivana Timbó, o pai exercia grande influência sobre as crianças, a ponto de elas não compreenderem a situação em que estavam envolvidas. As crianças mostraram calma durante o depoimento, e afirmaram que não sofreram nenhuma violência física do pai. Ainda assim, a delegada considera que a situação poderia trazer consequências de violência psicológica.
 
As crianças afirmaram ainda que tiveram momentos esporádicos de passeios e visitas a shoppings e ao mercado. Algumas delas nunca foram à praia e nem estudaram. Nos últimos dois anos, os filhos perderam acesso à TV, embora a residência tenha aparelho de televisão. A delegada afirma que as crianças acessavam a Internet por um único smartphone do pai, que monitorava o acesso.

Suspeito não está preso 

[SAIBAMAIS]O pai das crianças, suspeito de manter os filhos em cárcere privado, não foi preso pela Polícia Civil, decisão que a titular da Dececa considerou acertada. Ela diz que a prisão preventiva do pai poderia ser motivo de "confusão psicológica" para os filhos. 
 
Ainda não se sabe como o pai será enquadrado, já que a delegada mantém cautela sobre o caso se tratar de situação de cárcere privado e afirma que isso ainda precisa ser apurado. Contudo, o supervisor das Defensorias Públicas da Infância e da Juventude, Adriano Leitinho, diz que mesmo que as crianças tivessem acesso a espaços públicos o caso ainda se enquadra como cárcere privado. A delegada afirma que o empresário pode ser enquadrado por abandono intelectual.

A Polícia também investiga se a mãe teria envolvimento no suposto crime. "Pode acontecer da mãe ser responsabilizada se ficar provado que ela tinha consciência e conivência com o que aconteceu e não tenha tomada nenhuma providência", diz o defensor público. "Ela pode ser vítima do marido e, ao mesmo tempo, pode ter sido autora de crimes contra as crianças por omissão".

Ivana Timbó e Adriano Leitinho não descartam a possibilidade do suspeito ter problemas psicológicos. Segundo o inspetor Oberdan Campelo, do 4º Distrito Policial, o empresário não estaria em condições física e mental de ser preso. O estado mental do empresário será apurado.
 
Ainda conforme depoimento dos garotos, a situação se intensificou em janeiro deste ano, quando a família sofreu tentativa de assalto. O pai alega que manteve os filhos em casa por medo da violência.
 
Os seis irmãos, com idades entre quatro e 19 anos, e a mãe foram resgatados na manhã da última sexta-feira, 25, em um apartamento do bairro Dionísio Torres. Caso foi descoberto após denúncias anônimas ao Conselho Tutelar.
 
Redação O POVO Online
Com informações do repórter Rômulo Costa
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