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Temporada de ventos fortes em Fortaleza pode ter rajadas de até 50 km/hora

A média da velocidade de ventos em agosto é de 14 km/hora e de até 16 km/hora em setembro. Sem nebulosidade, por causa do fim da quadra chuvosa, a sensação térmica ainda fica mais confortável

17:25 | 01/08/2017
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Com o fim da estação chuvosa no Ceará, os ventos ganham força no segundo semestre e têm seu pico nestes meses de agosto e setembro. A velocidade média neste mês chega a 14 km/hora e até a 16 km/hora em setembro, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O fenômeno tem a ver com o sistema de alta pressão, que aproxima-se do continente.

"Com a atuação da Zonca de Convergência Intertropcial (ZCIT) e formação de chuvas, os ventos tendem a ter velocidade menor. Passado esse período, os ventos vão mudando de direção, soprando de leste ou de sudeste (do continente para o oceano). Essa mudança acaba atrapalhando o trabalho dos pescadores, enquanto ajudam na prática de kitesurf", explica a chefe do

Departamento de Meteorologia da Funceme, Meire Sakamoto.
Nos meses seguintes, em outubro e novembro, a velocidade tende a abaixar um pouco, com ventos de média de 15km/hora. Em dezembro, essa velocidade já cai para 14 km/hora em dezembro e 11 km/hora em janeiro.

A temporada de ventos na Capital cearense também traz uma sensação térmica mais confortável, com umidade mais baixa, porque não há nebulosidade. "Quando tem ventos mais intensos, você sente aquele frescor. Quando tem nuvem, a nuvem funciona como um cobertor que dificulta a perda de calor. Sem isso, a perda de calor é mais rápida", destaca Sakamoto.

No litoral, a média de ventos é de 30 km/hora, com momentos de rajadas de até 50 km/hora. A Funceme calcula as velocidades por meio de monitoramento da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizada próximo ao Castelão, em Fortaleza.

A Praia do Futuro é o ponto da Capital cearense mais ventilado pela ausência de obstáculos, mas toda a cidade fica sujeita a influência dos ventos alísios de leste e sudeste. É o que indica o arquiteto e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Renan Cid Varela Leite, que possui doutorado na área, com ênfase em ventilação urbana e arquitetônica. "Toda nossa costa é mais favorecida, as próprias vias que estão no sentido da (avenida) Santos Dumont e paralelas. Aparentemente, não tem corredor planejado para isso", afirma Renan Cid.

Segundo o arquiteto, prédios baixos não são necessariamente melhores dos altos em relação à ventilação da cidade. "Nem um nem outro é vilão, por si só. Tem que prezar pela variedade de tecnicidade da cidade e os termos de afastamento. À medida que subo tenho que me afastar das laterais, ganhando permeabilidade do vento, fundamental para nossa condição quente e úmida”, frisa.

Árvores
Apesar da velocidade dos ventos ser elevada no segundo semestre do ano, os meses com a maior incidência de queda de árvores são no primeiro semestre, entre janeiro a março. Esses três meses concentram cerca de 55% das ocorrências, conforme o Manutenção de Praças, Canteiros e Passeios, Vladimir Sena. "A predominância da quadra chuvosa provoca mais queda de árvores. Mas especificamente no segundo semestre, há maior incidência em novembro, que também é um mês em que historicamente venta muito", explica.

A Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (Urbfor) realizou, no primeiro semestre de 2016, 3.405 podas de árvores. Foram 281 cortes de árvores, enquanto 304 árvores caíram. No segundo semestre do ano passado, foram 9.088 podas, 521 cortes de árvores e 155 registro de árvores que caíram. O aumento é atribuído a questões contratuais, conforme a autarquia. Já neste ano, foram realizadas 5.678 podas de árvores, 257 cortes de árvores, além do registro de 279 árvores que caíram.

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