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Policia vai apurar período em que família foi mantida em suposto cárcere privado

Em vídeo exclusivo do O POVO, o suspeito disse que a família não saía há apenas seis meses, após suposta ameaça de bandidos
17:10 | Ago. 25, 2017
Autor Amanda Araújo
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Amanda Araújo Autor
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Tipo Notícia

Atualizada às 21h40min

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O tempo em que os seis filhos do empresário conduzido à Delegacia nesta sexta-feira, 25, ficaram em suposto cárcere privado será apurado pela Polícia Civil. Em vídeo exclusivo do O POVO, o suspeito disse que a família não saía há apenas seis meses, após suposta ameaça de bandidos. A Defensoria Pública aponta preliminarmente que a situação ocorria há 19 anos, mas ainda não há detalhes sobre a natureza do isolamento.

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O suspeito foi abordado pelo O POVO quando estava no 2º Distrito Policial, durante a tarde, enquanto tentava cobrir o rosto. "Só uns seis meses, depois da tentativa de matar as crianças. Os bandidos, a câmera filmou", disse. Dos seis filhos do suspeito, dois são meninos, com idades de quatro e 10 anos. As garotas têm oito, 13, 17 e 19 anos.

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Após novo questionamento, ele afirmou que as crianças tinham liberdade de ir ao shopping. "Não, eles tinham liberdade. Pro shopping, passeio, tudo", disse. Depois, ele informou que não daria declarações, "apenas para as autoridades".

Segundo a defensora pública e titular do Nadij, Ana Cristina Barreto, o tempo de cárcere ficará comprovado pela investigação policial. “Provavelmente, há 19 anos. Ninguém sabe se durante esse tempo todo foi mantido isolamento ou se esse isolamento era esporádico, se houve período de lucidez, ou como era que realmente era a situação”, disse ao O POVO Online.

A Defensoria Pública recebeu a denúncia na sexta-feira passada, solicitando elaboração de relatório do Conselho Tutelar sobre o caso. Além do abandono intelectual, pelo fato de as crianças estarem fora da escola, foi constatado que os filhos e a esposa não mantinham contato com familiares ou vizinhos, sem acesso à saúde pública ou privada. "Seria uma família que realmente vivia em completo isolamento, sem acesso a nenhum tipo de informação ou comunicação. Nem tv, nem internet, nem qualquer outro tipo de comunicação com o mundo exterior", explica Ana Cristina.

Há algumas denúncias de períodos em que as filha mais velhas teriam frequentado a escola, mas as crianças mais novas, não. A defensora confirmou que também há denúncia sobre o parto do mais novo, que não tem registro de nascido vivo, ter sido realizado no apartamento, mas não há confirmação. "Está sendo providenciado o registro, todos estão acolhidos de acordo com faixa etária e sexo. Vamos acompanhar as medidas protetivas e suposta existência de localização de parentes que possam reclamar a guarda dessas crianças e, de acordo com o relatório e com o desenrolar do inquérito, se é o caso ou não de uma destituição do poder familiar, tudo vai depender do que ficar apurado”, completa a defensora.

 

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