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UTI neonatal do HGF tem quase o dobro da capacidade de pacientes

A unidade foi visitada na noite dessa quarta pelo Sindicato, que contabilizou 29 bebês internados na UTI neonatal, quando a capacidade é apenas de 15

20:33 | 06/07/2017
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O Sindicato dos Médicos do Ceará denuncia lotação na unidade neonatal do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) desde o início da semana. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo, estava com quase o dobro da capacidade na noite dessa quarta-feira, 5, conforme levantamento da entidade.

A unidade foi visitada na noite dessa quarta pelo Sindicato, que contabilizou 29 bebês internados na UTI neonatal, quando a capacidade é apenas de 15. A situação de atendimento acima do recomendado se estenderia ainda ao setor de médio risco e ao Centro Obstétrico, ambos com pacientes acima da capacidade total.

"O que chama atenção é que para o serviço funcionar regularmente é necessário material e equipamentos suficientes. Quando tenho 15 (pacientes) a mais, nem todos vão receber assistência de qualidade", avalia a presidente do Sindicato dos Médicos, Mayra Pinheiro.

Segundo a médica, 20 bebês estavam internados no setor de médio risco, que possui 16 vagas. Já no Centro Obstétrico, foram contabilizados sete pacientes em leitos extras, no chão. “Em 2015, enviamos pedido à Defensoria Pública para abertura de novos leitos. Mesmo com o TAC (Termo de Ajuntamento de Conduta), não abriram leitos", argumenta.

Essa situação também é registrada, eventualmente, na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), conforme o sindicato. A lotação aumenta o risco de infecção hospitalar, com o agravante de que a rotatividade não é imediata no caso dos bebês prematuros, aponta a médica. "Interfere sensivelmente na qualidade da assistência, pois o profissional que iria monitorar 15 não conseguirá ver todos com a mesma qualidade. O intervalo de um metro (de distância entre leitos) tinha que ser respeitado, mas é quase um bebê colado no outro".

As UTIs neonatais da MEAC, com 21 leitos, estão atualmente com três bebês a mais, aguardando vaga para transferência a outros hospitais, conforme a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) - responsável pela gestão da maternidade. A transferência tem sido conseguida, conforme a empresa, por meio da Central de Regulação unificada das secretarias Municipal e Estadual da Saúde.

 

Secretaria da Saúde

Conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), na tarde de quarta, 49 bebês estavam internados na neonatologia e 14 puérperas no pré-parto, recebendo atendimento e acompanhamento necessários para garantir a saúde deles. A pasta diz que o HGF disponibiliza de 18 leitos na UTI neonatal do HGF e nega que haja qualquer paciente sendo atendido no chão, rebatendo as alegações do Sindicato. Do total de pacientes atendidos na obstetrícia do HGF, 70% são do perfil do hospital, afirma a Secretaria.

"O HGF conta com hospitais de apoio, como o Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar e  Hospital Geral César Cals, ambos da rede pública do Governo do Ceará, além do Hospital da Mulher de Fortaleza e dos Hospitais Distritais Gonzaga Mota (Messejana, José Walter, Barra do Ceará), da rede municipal. De janeiro a maio deste ano, foram realizados 7.728 atendimentos nos serviços de neonatologia e pré-parto do Hospital Geral de Fortaleza. Destes, 324 de alto risco e 295 de médio risco na unidade neonatal e, na unidade do pré-parto, 6.048 na emergência e 1.061 no ambulatório", comunicou a Sesa por meio de nota.

De acordo com a secretaria, o Estado aumentou em sete anos o número de leitos pediátricos e neonatais. "Na rede pública do Governo do Ceará, há 704 leitos pediátricos e neonatais. Destes, 68 são de UTI neonatal, 49 de UTI pediátrica e 151 de UTI pediátrica de médio risco. Além desses, há também 200 leitos de acolhimento conjunto, onde são atendidas mães e recém-nascidos. São hospitais do Governo do Ceará com leitos de pediatria e neonatal o Hospital Infantil Albert Sabin, Hospital Geral César Cals, Hospital Geral de Fortaleza, Hospital de Messejana, Hospital Geral Waldemar Alcântara, Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar, Hospital São José e Hospital Regional Norte (Sobral)", informou.

"Corredômetro"

De acordo com a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, a falta de leitos na capital é recorrente. A deficiência pode ser ilustrada na grande quantidade de pacientes internados nos corredores das unidades de saúde.

"Isso é cíclico, na verdade, tem bastante tempo que os médicos denunciam falta de leitos. Soma-se a isso a fila de pacientes que esperam leitos de UTI, tanto neonatal, pediátrica e adulto”, completa Mayra Pinheiro.

Até a última aferição, de 30 de junho, 248 pacientes estavam em corredores, a maioria deles no HGF (114), seguido do Instituto Dr.José Frota (57), Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (34), Hospital de Messejana (26) e Hospital Infantil Albert Sabin (17).

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