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Governo diz que áreas do crime são "mito", mas acredita que motorista foi morto por não baixar vidro de carro

Para a secretaria, as áreas só seriam consideradas dominadas pelo crime, se a polícia não circulasse

17:42 | 27/07/2017
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Por não baixar as janelas do carro e trafegar com vidro escuro, motorista da Uber morto no último domingo, 23, teria sido confundido com integrante de facção rival, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Guilherme e Silva Maia, 22, não teria cumprido ordem do tráfico no local, expressa em muro da região. A própria secretaria, no entanto, afirma que áreas comandadas pelo crime onde a polícia não entra são um "mito".

 

Em entrevista coletiva, a pasta divulgou que dois adolescentes, de 13 e 15 anos, foram apreendidos na noite desta quarta-feira, 26, sob suspeita de envolvimento no crime. A dupla foi encontrada em uma casa no bairro Ancuri, Área Integrada de Segurança 3 (AIS 3), onde o crime ocorreu. A polícia segue investigação para capturar outros dois suspeitos já identificados.

 

[FOTO1] 

 

A investigação aponta que o carro de Guilherme, um veículo Fiat Siena de cor prata, estava parado nas proximidades do residencial Alameda das Palmeiras, provavelmente esperando um cliente da Uber, quando um adolescente ainda não capturado suspeitou que o motorista fosse de uma facção rival e chamou os dois suspeitos que foram apreendidos.

 

Segundo a polícia, Guilherme teria sido confundido com um integrante de outra facção porque o carro estava parado, com vidro fechado e farol apagado. Quando a dupla se aproximou do motorista, o adolescente de 13 anos, sem passagem na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), teria jogado uma pedra que quebrou o vidro do veículo da vítima. 

 

Em seguida, ainda de acordo com a polícia, o adolescente de 15 anos, apreendido por roubo em 2015 e por tráfico de drogas e crime contra a administração pública em 2016, teria atirado em direção ao carro. Segundo o delegado Osmar Berto, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a vítima foi morta por um único tiro de uma espingarda calibre 12 que teria ocasionado várias lesões.

 

"A munição utilizada é do tipo balins, que ao sair da arma provoca diversos estilhaços, que equivalem a vários tiros de calibre 32", detalhou. As marcas dos estilhaços teriam sido confundidas com tiros. A arma do crime teria sido entregue a um jovem maior de idade ainda não apreendido.

 

Os dois adolescentes foram conduzidos para a sede da DCA, onde foram autuados em flagrante por homicídio. A polícia continua as investigações para apreender a arma utilizada no crime e os outros dois suspeitos.

 

"Áreas do crime"

Próximo ao local do crime, pichações de facções que dominam o tráfico de drogas no local “proibem” o tráfego de veículos com janelas fechadas e vidros escuros. “A motivação da morte foi exatamente quando eles suspeitam que um carro com vidro fechado ou motoqueiro de capacete seja membro de outra facção. Ninguém nega que exista isso. A gente conhece isso e são nesses locais em que há inscrições como essas que a gente age com mais rigor”, declarou o titular da SSPDS, André Costa. 

 

De acordo com a polícia, no entanto, territórios do crime não existem porque as forças de segurança também atuam nessas regiões. "Não existe  essa história de ter um território onde a polícia não ingresse. Ontem mesmo a prisão foi feita nessa área, dita que há impedimento do livre trânsito de cidadãos e inclusive da policia. É um mito", frisa o diretor da DHPP, Leonardo Barreto. 

 

 

Redação O POVO Online

com informações da repórter Luana Severo 

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