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Polícia conclui inquérito e indicia motorista que atropelou e matou ciclista

Menino Kaic pedalava com a mãe na avenida Godofredo Maciel, quando foi atingido pela caminhonete durante retorno. Delegado informou indiciamento por homicídio culposo da motorista do veículo

16:14 | 28/06/2017

O inquérito policial sobre o atropelamento e morte do menino Kaic Roniele, 11 anos, foi encaminhado à Justiça há cerca de dois meses. O titular do 5° Distrito Policial (DP), delegado Valdir Passos informou o indiciamento da motorista Ana Paula Rodrigues Muniz por homicídio culposo (sem a intenção de matar). A criança estava pedalando na avenida Godofredo Maciel com a mãe e chegou a ser arrastada por cerca de 500 metros pelo veículo.

Em depoimento à Polícia, a motorista alegou que não viu a criança, conforme o delegado. "Eu coloquei qualificadora por ela ter se ausentado do local sem prestar socorro. O Ministério Público agora analisa e, se achar que não resta nenhuma outra diligência, já oferecerá denúncia", explicou ao O POVO Online, na tarde desta quarta-feira, 28.

De janeiro a maio, foram registrados no Instituto Doutor José Frota (IJF) 350 atendimentos a ciclistas vítimas de acidentes (sem especificação). No mesmo período de 2016, foram 579 atendimentos, sendo que 308 foram sem colisão (quedas, capotamentos, projeção de veículo por falha mecânica). O restante de atendimentos no ano passado foi por colisões com outros veículos, animais ou objeto fixo.

[SAIBAMAIS]A Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza, a Ciclovida, coleta dados de alguns casos de atropelamentos de ciclistas, como o de Vicente Veloso Neto, conhecido como Xuxa, que morreu após ser atropelado por um ônibus, em fevereiro de 2016. O advogado Vitor Ramalho, integrante da associação, diz que não existe processo judicial para a maioria dos casos.

"No caso do Xuxa, o inquérito foi arquivado pelo MP por culpa exclusiva da vítima. A vítima foi condenada pela própria morte, e a Justiça acatou. Mas a gente entende que o direito penal não é uma saída, nunca diminuiu crimes e nunca vai diminuir”, frisa.

Para o ciclista da associação, é preciso investimento em outras formas de punição, como a proibição da direção. “Hoje em dia, todo mundo anda de cinto, houve redução de pessoas fumando. Não é necessário prender para que os hábitos mudem, é tentar realizar atividades para as pessoas serem orientadas e educadas”, avalia.

Prefeitura não tem dados de acidentes
A Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCPS), informou que tem dados de acidentes envolvendo ciclistas apenas dos anos de 2011 e 2015. Em 2011, 38 ciclistas morreram em acidentes e 38 ficaram feridos. No ano de 2015, foram 16 ciclistas mortos e 268 feridos.

De acordo com o engenheiro da Prefeitura, Gustavo Pinheiro, as ações para a redução de acidentes estão relacionados à fiscalização, educação e infraestrutura. "A bicicleta é uma política de mobilidade urbana, um transporte sustentável. Paralela à implantação (de ciclovias e ciclofaixas), a gente quer promover o respeito entre os condutores. Os veículos mais pesados devem cuidar dos mais leves”, afirma.

O Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) prevê 524 km de malha cicloviária até 2030; atualmente, Fortaleza tem 209 quilômetros de rede cicloviária - 101,5 de ciclovias, 106,8 km de ciclofaixas e 0,7 km de ciclorrotas.

“Durante anúncio feito em fevereiro deste ano, o prefeito Roberto Cláudio definiu a execução de um pacote de 50 km de ciclofaixas e ciclovias que estão sendo implantadas na cidade ao longo deste ano de 2017. E, até o final de 2018, também será implantado um anel cicloviário, que prevê 46 km de infraestrutura cicloviária, conectando de norte a sul e de leste a oeste a rede cicloviária em volta da cidade, antecipando assim o que prevê o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) para o ano 2020”, informa a SCSP.

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