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Prefeitura diz que não tem informação se pedras foram perdidas na José Avelino

Material ficou exposto no calçamento histórico durante ocupação dos feirantes por três dias, conforme O POVO apurou no local

16:13 | 19/05/2017
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Atualizada às 13h do dia 20/5

Cerca de 30% do pavimento da rua José Avelino já foi removido pela Prefeitura de Fortaleza durante os trabalhos de requalificação. Pedras do calçamento, tombado como patrimônio histórico, foram levadas a canteiros de obras montados no entorno do local e no Teatro São José para serem recolocadas, informou a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf). No entanto, o órgão não tem a informação se algumas das pedras que ficaram expostas durante a ocupação dos feirantes, conforme O POVO apurou no local, foram subtraídas. 

As obras na rua José Avelino e na avenida Alberto Nepomuceno impuseram a necessidade de remoção de parte das pedras que compõem a pavimentação da via, conforme a Seinf. O armazenamento era o próximo passo após a remoção, mas somente após liberação da via pelos feirantes, as equipes designadas para o trabalho conseguiram levá-las. "Não conseguimos retirar imediatamente, mas a partir de quarta-feira já entramos e armazenamos todas as pedras soltas", diz a secretária da infraestrutura de Fortaleza, Manuela Nogueira.

Enquanto manifestavam, os feirantes chegaram a entrar em confronto com a Guarda Municipal usando paus, pedras e até coquetéis molotov. A guarda usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e munição de impacto controlado - conhecida como balas de borracha.

[SAIBAMAIS]Manuela garante que, se houve subtração, foi pequena. "Não teremos problema na recomposição. Não perde o valor, pois técnicos da Secultfor (Secretaria da Cultura de Fortaleza) estiveram no local acompanhando e verificaram o serviço", alega a secretária.

 

As marcas do antigo trilho presentes no local serão restauradas, com reinstalação das mesmas pedras, ainda conforme a secretária. "Não é nada muito diferente (do serviço) de qualquer outro calçamento, mas tem um cuidado maior. A diferença é que as pedras serão recolocadas, sem misturar com novas. Estava deteriorado, com lugares afundados, e vamos refazer a base", completa ela.

Comphic discorda

Embora a Seinf defenda que não há desrespeito ao patrimônio tombado, o Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural de Fortaleza (Comphic) articula reunião com a Secultfor para discutir a remoção do calçamento histórico. "Esperamos o retorno porque o projeto não passou pelo Conselho. Embora tenha autorização, o que era para ser preservado sumiu. Como você pega um monte de pedras e coloca de novo se perdeu a originalidade?", avalia Clélia Monastério, do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural de Fortaleza (Comphic).

Segundo Clélia, a feira também era prejudicial ao patrimônio e uma preocupação do Comphic. "Mas isso agora foi surreal. É como derrubar uma casa em ruínas e construir do mesmo jeito ou parecida: o que era patrimônio preservado foi destruído", frisa ela.

O pavimento da rua José Avelino foi tombado como patrimônio histórico em dezembro de 2012, por meio do decreto municipal 23.035.

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