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Adolescente envolvido em morte de policial é apreendido em Fortaleza

Dos dois suspeitos, adolescente foi apreendido ainda no sábado passado. Outro, maior, continua foragido. O PM da Reserva José Carlos Vasconcelos, 42, foi morto durante assalto, no Jardim Iracema

13:50 | 08/05/2017
Foi apreendido um dos envolvidos na morte do soldado da Reserva da Polícia Militar José Carlos Vasconcelos. O crime aconteceu na manhã do último sábado, 6, e a apreensão na tarde do mesmo dia, mas o anúncio só foi feito nesta segunda-feira, 8, em coletiva na sede da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, no bairro de Fátima.
 
O PM foi morto com um tiro na nuca, durante assalto, no bairro Jardim Iracema. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), José Carlos, 42, fora abordado por dois jovens armados numa moto, nas proximidades de casa. Rendido, ele foi baleado pela dupla, que fugiu, levando o celular e a arma da vítima.
 
O policial chegou a ser socorrido pela esposa, mas não resistiu aos ferimentos. Ele havia entrado para a Reserva ainda como soldado, pouco tempo após ingressar para a PM, em decorrência de um acidente de motocicleta que o impediu de continuar em atividade.
 
Um dos suspeitos, o que teria anunciado o assalto, foi identificado como Argecilon Lúcio de Souza Monteiro, de 18 anos, mas está foragido.

Já o segundo envolvido, de 17, que guiava a moto usada no crime, foi apreendido também no Jardim Iracema, na casa de uma irmã. Junto a ele, foram encontradas três armas, uma que era a do policial, além de R$ 19 mil em dinheiro, crack, munição e três balanças de precisão. O jovem já tinha passagem pela Polícia, por ato infracional análogo ao tráfico de drogas.
 
Com a morte do soldado, subiu para 12 o total de agentes mortos no Ceará em 2017, conforme a Associação dos Profissionais da Segurança (APS), sendo dez policiais e dois guardas municipais. Na última quarta, o soldado Gledson Matias foi morto durante assalto, quando voltava da igreja, no bairro Ellery.
 
Declaração

Para o secretário da Segurança, André Costa, o PM foi morto por "preconceito". “Um policial que foi executado covardemente por uma única razão: por ser policial. Ele não reagiu, nada falou. Foi surpreendido e morto somente pelo preconceito que esses bandidos têm contra policiais”, defendeu em postagem nas redes sociais. 
 
Na avaliação do professor Geovani Jacó, coordenador do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e da Violência (Covio) da Universidade Estadual do Ceará (Uece), há exagero na fala do secretário.
 
“O que tem ocorrido no Ceará pode até ser enquadrado como crime de ódio, pois a orientação dada para a atuação policial é que ‘bandido bom é bandido morto’ e ‘justiça ou cemitério’. Isso, sim, é discurso de ódio. E essa perspectiva de ódio incita reações de ódio”.
 
Redação O POVO Online com informações da repórter Ana Rute Ramires 

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