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Moradores do Conjunto Ceará protestam contra leilão de áreas públicas

De acordo com moradores, a licitação inclui terrenos do Pólo de Lazer, uma das principais áreas de ocupação públicas do bairro

19:34 | 26/04/2017
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Um leilão de áreas públicas do bairro Conjunto Ceará que será realizado na próxima terça-feira, dia 2, tem sido alvo de protesto de moradores do bairro. De acordo com a comunidade, área prevista para venda em licitação compreende o Pólo de Lazer e o Centro Cultural Patativa do Assaré (CCPA), e é ocupada com atividades culturais e de economia criativa há mais de vinte anos.
 
Antes de ser transformado em centro cultural, o CCPA abrigava um shopping popular, aberto no início da década de 1990. Foram construídas 40 lojas, distribuídas entre empreendedores locais, além da promessa de atrair uma loja-âncora. Entretanto, a loja não foi viabilizada e o shopping faliu.
 
“Foi quando a comunidade se apropriou e até hoje mantém as atividades culturais e de economia criativa. Além de manutenção do prédio”, conta Ozinete Santana. De acordo com ela, já houve outro leilão em abril do ano passado, mas não houve proposta por ser área extensa. “Não houve diálogo sobre o uso.  Depois que nós reivindicamos houve promessa de cancelamento da licitação e integração do local aos patrimônios da Secretaria da Cultura do Estado (Secult)”, afirma.
 
Mesmo com as promessas,  na semana passada a comunidade foi surpreendida com o anúncio de novo leilão. Diferentemente da primeira vez, de acordo com documento, a área está dividida em nove lotes para facilitar a venda. Os preços iniciais variam de cerca de 224 mil reais até cerca de R$ 2,8 milhões.
A concorrência pública do tipo maior oferta está marcada para o dia 2 a partir das 9h30min da manhã. De acordo com Renan Rodrigues, produtor cultural do coletivo entrepólos, foi criada uma comissão para tentar reverter o leilão e, se for o caso, entrar com pedido no Ministério Público.
 
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“Isso prejudica a comunidade como um todo porque tirar os prédios, o patrimônio do bairro, que é onde a juventude que promove a cultura tem a possibilidade de realizar algo, tem o acesso, tem a facilidade de dialogar diretamente com uma pessoa. Vai afetar economicamente o bairro, afeta culturalmente porque é ali que ocorrem jogos, carnaval, festa junina tradicional”, afirma Renan.
 
O POVO Online procurou a Secretaria do Planejamento e Gestão do Esatdo (Seplag), mas até o momento nenhuma da publicação não houve retorno por parte da pasta. Neste sábado, 29, a comunidade promoverá uma virada cultural para reunir a comunidade em torno da discussão e ocupar o Centro Cultural. 
 
Redação O POVO Online
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