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Curso sobre arte contemporânea africana tem início nesta quinta-feira

As aulas serão administradas pela pesquisadora Carolina Ruoso, doutora em História da Arte pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e curadora do Sobrado Dr. José Lourenço

10:00 | 16/03/2017
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[FOTO1]Uma pesquisa rápida no Google por “arte africana” dá a pista de como a produção daquele continente é historicamente tratada. Surgem imagens de máscaras, pinturas e esculturas tribais, obras que a tradição eurocêntrica chamou de “primitivas”. Em minicurso que tem início nesta quinta-feira, 16, a historiadora Carolina Ruoso atravessa o Atlântico para apresentar três artistas e, a partir deles, conversar sobre arte contemporânea africana.

 

Kader Attia, Esther Mahlangu e Barthélémy Toguo são artistas de diferentes países, com trajetórias distintas. O primeiro é um artista franco/argelino, nascido em 1970, na França, e vencedor, em 2016, do festejado prêmio Michel Duchamp, concedido pelo Centro Cultural George Pompidou. A segunda é uma artista da África do Sul, do povo Ndebele, que ganhou atenção internacional quando participou da exposição Magiciens de la terre (Mágicos da terra), em 1989. O terceiro, um artista camaronense nascido em 1967, que vive entre Paris e Bandjoun, cidade onde criou um centro de criação em educação, arte contemporânea e agricultura.

 

“São artistas que nos trazem reflexões a respeito de temas indizíveis, controversos e muitas vezes silenciados. Será muito enriquecedor poder tratar de alguns destes temas tão complexos trazidos aos mundos da arte por eles”, diz Carolina, doutora em História da Arte pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e curadora do Sobrado Dr. José Lourenço. “É preciso fazer recortes, expor especificidades existentes entre os diversos processos de criação que partem da África”, aponta.

 

Em cada um dos casos que serão apresentados como ponto de partida para o curso que terá três encontros, perfazendo 8 horas/aula, Carolina explica que há diferentes formas de se relacionar com as artes tradicionais. “Vai depender de cada artista, não há padrões determinados. A ideia de que há transmissão de uma essência ou pureza que atravessa gerações foi elaborada por historiadores da arte e antropólogos europeus”, sublinha.

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No caso do Barthélémy Toguo, por exemplo, as suas lições de arte foram de perfil europeu, aprendeu a esculpir a partir de cópia de artistas que eram referência para aquela escola. Posteriormente, ele teve a oportunidade de explorar a madeira para trabalhar as suas próprias esculturas. “Pensando nesta questão, para alguns artistas do continente africano - não quero generalizar - as artes tradicionais africanas não terão o mesmo efeito simbólico que para as vanguardas modernistas na Europa. As vanguardas europeias tomam as artes tradicionais africanas como objetos do Outro.. A maneira como estes artistas que estamos nos referindo encontram para se relacionar com as artes tradicionais, partindo de uma perspectiva africana, tem outro significado. Há alguns que negarão as artes tradicionais. Outros as tomaram como elementos identitários. E outros as trataram como referências culturais em transformação, em movimento. E há os que defenderão que as artes de perspectiva africana não são apenas as artes tradicionais. Estes defenderão que as artes e os artistas dialogam e circulam amplamente nos mundos das artes e estão interessados em fortalecer as experiências criativas contemporâneas na África”, afirma Carolina.

 

Ao fazer uma revisão crítica, a pesquisadora também se interessa em dar relevo a artistas e expressões da arte tradicional africana. Ela cita uma questão apresenta pela antropóloga americana Sally Price: “de acordo com o modelo que se pretende universalizante - que está nos livros ou enciclopédias de História da Arte ou nos museus de arte - os povos ditos primitivos seriam povos sem história. Então, quando procuramos informações a respeito das artes africanas, estas, estão sempre no quadro das ditas artes primitivas”. Propõe assim uma revisão da História da Arte, da sua fabricação como disciplina e de um modelo de narrativa que ainda predomina no cenário dos mundos da arte.

 

Arte contemporânea africana

Quando: 16, 23 e 30 de março, de 18h50min às 21horas

Quanto: R$ 100

Onde: Mediador - Centro de Desenvolvimento Profissional (Av. Santos Dumont, 1687 Sala 407)

Informações: (85) 99292-0577 (celular e whatsapp) / (85) 98519-9786 / email: orcamentomediador@gmail.com. O pagamento pode ser feito, através de e-mail ou pessoalmente, por cartão de crédito, boleto bancário, transferência bancária e, em nossa sede, em dinheiro.

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