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Movimento Vila Viva ocupa Casa do Barão de Camocim

A intenção é reivindicar a autonomia da Vila, com a participação dos artistas na escolha da nova diretoria e implementação de outras ações para a continuidade do projeto pedagógico da Vila

10:56 | 02/02/2017
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Atualizada às 19h55min

A Casa do Barão de Camocim, no Centro de Fortaleza, está ocupada por alunos da Vila das Artes que reivindicam uma série de ações para o funcionamento autônomo do equipamento. Cerca de 20 pessoas iniciaram a mobilização no local, na manhã desta quinta-feira, 2. O ato está sendo articulado pelo recém-formado movimento Vila Viva, que cobra diálogo transparente com a Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor).

As incertezas envolvendo a direção do equipamento público começaram no início deste ano, quando nove funcionários foram surpreendidos com demissões. O secretário de Cultura de Fortaleza, Evaldo Lima, chegou a voltar atrás, mas os manifestantes dizem que os desligamentos foram confirmados.

A Casa do Barão de Camocim foi desapropriada pela Prefeitura em 2005, além de outros dois prédios, para acolher o projeto Vila das Artes. Até hoje o casarão, tombado como patrimônio histórico, aguarda restauro e não é ocupado com atividades culturais. 

Em carta aberta, o movimento Vila Viva esclarece que a ocupação tem o objetivo de mostrar a "luta dos estudantes e artistas por um espaço de formação em artes de qualidade, com autonomia e liberdade para invenção".

Os manifestantes exigem participação na escolha dos nomes da nova diretoria, cancelamento imediato de todas as demissões, e garantia da efetivação do Projeto Político Pedagógico da Vila. Outras solicitações são para a implementação imediata de um conselho administrativo deliberativo e a divulgação pública do orçamento real da Vila para este ano.

[SAIBAMAIS]

A psicóloga Luciana Rodrigues, 39, integrante da 4ª turma do curso de Realização em Audiovisual da Vila, conta que a Secultfor tem se desviado do diálogo com os alunos e professores. "A atitude de lançar esse número altíssimo de demissões é absurda. Temos nos organizado para conversar, mas não estão dispostos a discutir. A decisão sobre a coordenação não pode ser feita de cima para baixo", diz.

Luciana afirma que a demissão dos coordenadores foi confirmada, o que prejudica o projeto pedagógico da Vila e os cursos desenvolvidos. "O curso tem dez anos, foi discutido e pensado. A cada mudança de turma ainda é reavaliado por conselho reconhecido pela UFC [Universidade Federal do Ceará]. A ocupação continua por tempo indeterminado até que cada solicitação seja atendida", frisa.

O professor do curso de Realização, Alexande Veras, destaca a importância do espaço para a cidade. "A ideia da Vila não é criar mão de obra, mas formar realizadores de perfis diferentes que se apropriem do cinema e tenha responsabilidade política. Temos alunos de toda cidade, a Vila faz parte de uma rede social para Fortaleza junto com os Cucas", avalia.

De acordo com Alexandre, a tentativa de diálogo com a Secultfor tem sido desgastante. "Todo o processo [de mudança na Vila] está ocorrendo à revelia do Conselho e dos artistas. Nunca mencionam a vinculação da Casa do Barão, falam em outro uso, mas essa a casa foi desapropriada para compor a Vila. A Vila foi formada há dez anos por artistas, ocupada por artistas e isso não pode mudar de uma hora para outra", argumenta. 

Na última segunda-feira, 30, a Secultfor desmentiu a mudança de sede do órgão para a Casa do Barão de Camocim. A Casa é tombada pela Prefeitura de Fortaleza desde 2007 e, recentemente, recebeu a 18ª edição do evento de decoração Casa Cor Ceará.

O POVO Online entrou em contato com a Seculftor e o secretário de Cultura, Evaldo Lima, falou com a reportagem.

Carta
O Fórum de Linguagens protocolou, na última quinta-feira, 26, uma carta contra as decisões da Secultfor em relação à manutenção dos equipamentos da cidade, como Vila das Artes e Estoril. O documento repudiou o não comparecimento de Evaldo Lima à última reunião do fórum e reivindicou "horizontalidade e transparência na gestão ".

“Queremos que ele nos ouça para que a escolha da direção e das coordenações da Vila seja coletiva. Nossa proposta é construir uma lista tríplice para a escolha de um nome. A impressão que temos é que será uma escolha política, e não queremos isso”, explicou o artista Victor Hugo, eleito conselheiro municipal de Política Cultural. 

Casa Cor

Em contato com O POVO Online, a diretora da Casa Cor Ceará, Neuma Figueiredo, enviou uma nota. Confira abaixo a íntegra do documento:

"O Instituto Cor da Cultura, responsável pela realização da CasaCor Edição 2016, informa que na manhã desta quinta feita (02.02.2017) ocorreu a invasão do imóvel conhecido por Casa Barão de Camocim.

O instituto possui um termo de permissão de uso do imóvel até o dia 30.03.2017, momento em que concluirá as ações de pós-produção e finalização das obras, entregando assim o imóvel com as benfeitorias ao bem tombado pactuadas junto a prefeitura de fortaleza.

Muitas benfeitorias já foram realizadas e incorporadas ao imóvel: recuperação dos telhados , recuperação de pisos, contenção de muros e contenção da ala sul da casa, instalação de projeto de acessibilidade com rampas e instalação de 2 plataformas elevatórias. foi realizada ainda uma grande dedetização contra pragas que  estavam danificando o madeiramento do bem.

Nossa preocupação com esta invasão é a impossibilidade de finalização do restante dos compromissos assumidos, tais como a reforma de banheiros, pintura interna da casa, polimento do piso, instalações elétricas e hidrosanitárias, e implementação do novo projeto paisagístico. E mais ainda que possa ocorrer danos ao bem tombado com uso inadequado de suas instalações".

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