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Vítima de atropelamento, mulher de 53 anos espera cirurgia há cinco meses

Ana Lúcia de Lira Sousa foi atropelada ao evitar que um homem com dificuldades de locomoção fosse atingido por uma motocicleta. Sem andar, depois de passar Natal e Ano Novo na Santa Casa de Sobral, ela foi transferida há dez dias para o IJF. Na Capital, ela espera atendimento num corredor do hospital

17:07 | 27/01/2017
Atropelada por uma motocicleta em Forquilha, a 230,3 km de Fortaleza, a cearense Ana Lúcia de Lira Sousa, de 53 anos, teve a bacia fraturada e aguarda uma cirurgia há 5 meses e 4 dias. Até o último dia 18, ela esteve internada na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, quando foi transferida para o Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Instalada num dos corredores do principal hospital de traumatologia do Estado, ela continua sua longa espera pelo procedimento.

Em entrevista ao O POVO Online, a vítima expressa preocupação. "Eles (o hospital) não estão me dando prazo de nada, só comprimido para dormir e diminuir a dor. E eu sinto dor todo tempo", desabafa Ana Lúcia. "É estranho ficar aqui. Não é nada como minha casa, nada do meu jeito. Dizem que tenho que esperar esse leito abrir, mas cadê esse leito?", questiona. "Eles dizem que está tudo ocupado. E aí, como é que faz?"

O acidente ocorreu quando Ana Lúcia tentou evitar que um homem com dificuldades de locomoção fosse atropelado e acabou sendo atingida pelo veículo.

A cearense chora ao relatar o descaso, sem nem ao menos receber visita de um médico. A irmã da vítima, Antônia Lira Pessoa, de 55, conta que divide com as duas filhas de Ana Lúcia a companhia no IJF. Há dez dias na unidade, diz que foram realizados um exame de sangue e raio-x no dia em que deu entrada, mas nada mais foi feito. "Nós não recebemos nenhum médico".

"Os médicos (da Santa Casa de Sobral) diziam que a cirurgia só seria feita aqui em Fortaleza. Estamos pelejando e nada", conta. "É só Deus mesmo para ajudar a gente. A gente espera que dê uma força, mas Deus vai mostrar um caminho. Ela fica muito ansiosa", diz Antônia.
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Diariamente, em posts no Facebook, o jornalista Raimundo Madeira, que visitou a vítima no último dia 22 de dezembro, ainda em Sobral, conta o tempo de espera de Ana Lúcia. O tempo só se acumula. Em seu relato, ele cita um relatório emitido pelo médico que a acompanhava na Santa Casa, concluindo que ela “demonstra revolta com o tempo de espera".
 
"As impressões que tive são de que há mais sofrimento e resignação e menos revolta", escreveu o jornalista."Como paciente, eu também já passei 24 horas nos corredores do IJF, em 2015, e vi a quantidade de casos extremamente graves chegando ao hospital de nível terciário", relatou na publicação. "A prioridade para os quadros de maior gravidade obriga pacientes como Ana Lúcia de Lira Sousa a permanecerem numa angustiante fila de espera". 
 
Madeira ressalta que a paciente só foi transferida após a situação ser denunciada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e levada à Defensoria Pública do Estado.
 
A assessoria do IJF afirmou que a paciente deu entrada no hospital no último dia 18 e que já foram realizados os procedimentos padrões de exame de sangue e radiografia. Ainda de acordo com a assessoria, a paciente é a próxima da fila para conseguir um leito. "Ela aguarda a internação em um leito de enfermaria e a melhora de um paciente na área específica de tratamento dela". 
 
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado disse que o fluxo do atendimento nos serviços de referência é organizado pelas Centrais de Regulação do Estado e do Município. "Este ano a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) iniciou o processo de integração das duas centrais para atendimento. A proposta é reorganizar e otimizar as demandas, inicialmente, da macrorregião de Fortaleza. Atualmente, além das centrais do Estado e Município, o Ceará dispõe de núcleos reguladores nas regiões Norte e Cariri".

O órgão explica que atualmente as principais demandas de cirurgias da macrorregião de Fortaleza que chegam à Central de Regulação são para ortopedia, cirurgia geral e urologia.

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