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NOTÍCIA

Estudantes relatam agressão na Uece, realizam protesto e são processados pela Universidade

O POVO Online apurou que pelo menos 13 estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) foram agredidos por supostos policiais à paisana. A Universidade responde que nenhuma denúncia foi feita a instituição a respeito do caso

Rubens Rodrigues
18:51 | 06/01/2017
Estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) denunciam casos de agressão dentro do campus por supostos policiais civis à paisana. Circula nas redes sociais um vídeo gravado na tarde desta quarta-feira, 4, mostrando a abordagem truculenta. A Uece não confirma se há policiamento à paisana na Universidade, apenas guarda particular. Por meio da assessoria de comunicação, a instituição informou ainda que nenhuma denúncia de agressão foi realizada oficialmente ao comitê de segurança da Universidade.
 
O POVO Online apurou que foram agredidos, no mínimo, quatro alunos do curso de Geografia, dois estudantes de Pedagogia, três alunos de Letras, três de Educação Física e um estudante de História. 
 
A pedido do próprio estudante, O POVO Online preservou a identidade do jovem que aparece no vídeo. Ele conta que a abordagem ocorreu por volta das 17h20min desta quarta. "Eles queriam me revistar, falaram que eram policiais mas não mostraram a identificação oficial. Então eu recusei a revista", relata. "Ele puxou minha mochila à força e, quando puxei de volta, ele me empurrou no chão". Ainda de acordo com o cearense, os policiais chegaram a fotografá-lo.
 
O POVO Online teve acesso ao vídeo que circula nas mídias sociais, mas também a pedido do estudante que aparece na filmagem, o vídeo não será reproduzido.
 
Com duração de 54 segundos, a gravação mostra três homens se aproximando de três pessoas sentadas em um banco. Aos 13 segundos, um dos homens se inclina na direção do estudante, empurrando-o. O estudante levanta e segura a mochila, enquanto o suposto policial continua tentando puxar a bolsa. Aos 23 segundos, o suposto policial mostra um objeto que não dá para reconhecer no vídeo, mas que segundo relatos seria uma arma. Nos últimos 15 segundos, o suposto policial diz que "tropeçou", e por isso derrubou o estudante. 
 
Protesto 
 
Aluno de Pedagogia, José Honorato Neto, de 23 anos, afirma que os estudantes foram orientados inicialmente pela reitoria que a abordagem só seria realizada com quem não se identificasse como aluno. "(A abordagem) não termina nisso. Eles pedem documento, mochila, e depois agridem. Eles bateram numa garota da comunidade da Serrinha que estava no campus". O estudante diz que os suspostos policiais se referiram a jovem pelos termos "vagabunda" e "safada".  
 
Honorato diz que quando foi abordado mostrou a identificação de aluno, mas mesmo assim teve a mochila e outros pertences jogados no chão. "Eu não sabia quem eram aqueles homens. Chegaram cinco pessoas, pedindo calma, mas sem mostrar nenhuma identificação oficial", relata. Para ele, a abordagem configura racismo. "Eles não revistaram meu amigo branco".
 
Após os episódios de violência, estudantes realizaram o Sarau da Resistência, uma oportunidade de confraternizar com moradores da comunidade da Serrinha, acusados pela instituição, como contam os alunos, de realizar assaltos na Universidade. "A gente tentou reivindicar esse direito", disse José Honorato. "Não se pode criminalizar uma comunidade inteira pelos assaltos". Mas o evento acabou em transtorno. Com os portões da Universidade fechados, algumas pessoas que estavam do lado de foram jogaram pedras na fachada do prédio. 
 
O que diz a Uece 
 
Contatada pelo O POVO Online nesta quinta-feira, 5, e nesta sexta-feira, 6, a assessoria de comunicação da Uece informou que "devido a situações de insegurança ocorridas em 2016, foi criado um comitê de segurança composto pelo vice-reitor Idelbrando dos Santos Soares, o pró-reitor de adminstração Carlos Heitor Sales e os representantes das empresas de segurança privadas e da guarda patrimonial".
 
O comitê se reúne a cada 15 dias para discutir os casos de insegurança e medidas de combate. Por solicitação dos alunos, foi criada também uma comissão formada por representantes do Diretório Acadêmico e movimentos sociais para acompanhar o comitê de segurança.
 
A assessoria da Uece diz que não foi registrada nenhuma denúncia formal de agressão ao comitê. A instituição orienta que os estudantes devem fazer a denúncia diretamente com o DCE - canal de comunicação entre os alunos e o comitê de segurança. 
 
Processo adminstrativo e multa 
 
A Uece confirma que foi aberto "processo administrativo disciplinar interno" contra seis estudantes que realizaram o Sarau sem autorização da Reitoria e pela depredação do patrimônio. Foi aberta também contra os estudantes notícia-crime no 5º Distrito Policial por "dano gerado ao patrimônio público no valor de R$ 13.608,67". Em contato com O POVO Online, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que a delegacia responsável pelo caso não funciona em regime de plantão e só poderá repassar as informações na segunda-feira, 9.
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