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Do surfe ao Lollapalooza: Daniel Groove e a força da música cearense

O artista, que faz show neste domingo em Fortaleza, é mais um entrevistado da série Safra 2017 - Música CE. Ele bateu um papo descontraído sobre o início de sua trajetória, o álbum "Romance Pra Depois", o convite do Lolla, entre outras novidades e curiosidades da carreira

14:30 | 21/01/2017
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Prestes a completar 20 anos de carreira, Daniel Saraiva Costa, 41 anos, mais conhecido sob a alcunha de Groove, vive uma fase de sucesso na música popular brasileira, carregando na bagagem dois álbuns solos elogiados pela crítica, com indicações e prêmios, e um convite para tocar no Lollapalooza 2017, em março. Transitando pelo brega, rock e pela MPB, o cearense, radicado em São Paulo, retorna a Fortaleza para o show de lançamento de "Romance Pra Depois" em disco físico e nas plataformas digitais, no Anfiteatro do Dragão do Mar, neste domingo, 22.


E a volta de Groove à Cidade natal vai além do show de lançamento do disco "Romance Pra Depois". Após dez anos morando em São Paulo, onde ganhou visibilidade na música, fortaleceu parcerias e gravou os dois álbuns solos, o compositor de "Novo Brega" tem planos de estender a passagem pela Capital cearense para ficar mais próximo da filha e movimentar a cena local.


Quem curte o som do barbudo o terá por perto, em Fortaleza, pelo menos até março, quando tem compromisso com o Lollapalooza, em São Paulo. Até lá, a ideia do cantor é emplacar novos projetos na terrinha, como o bloco de Carnaval "Iracema Bode Beach", no qual comandará os vocais de ritmos carnavalescos ao lado de Nayra Costa. E não para por aí. Ele comanda toda sexta, no Café Couture (Praia de Iracema), um encontro musical, trazendo músicos cearenses para um bate papo e fazer um som.


Dividido entre São Paulo e Fortaleza, Daniel só quer aproveitar o momento em terras Alencarinas. "Estou sentindo a necessidade de voltar. Está rolando uma coisa muito bacana em Fortaleza que a minha geração que foi para São Paulo também tem contribuição e reflete aqui. No outro lado da moeda, tem uma nova geração de músicos muito instigante. Acho importante fortalecer isso", comenta. "Vivo uma dicotomia de pensamentos, porque amo minha terra e aprendi a amar São Paulo. Quando estou lá, sinto saudade daqui e vice-versa. Entreguei o imóvel lá, ainda não aluguei aqui. Quando vou lá o selo paga um hotel, quando venho, fico na casa de amigos ou dos pais. Ainda não decidi", completa.

 

Daniel Groove é mais um entrevistado da série Safra 2017 - Música CE, que traz histórias de bandas e artistas cearenses que estão realizando shows de lançamentode disco no mês de janeiro. O artista bateu um papo descontraído com O POVO Online sobre o início de sua trajetória, que tem relação com a prática de surfe, o show em Fortaleza, o álbum "Romance Pra Depois", o convite do Lolla, entre outras novidades e curiosidades da carreira. Também foram entrevistados no especial a cantora Laya, a banda Groovytown e o vocalista dos Garotos Solventes, Jonnata Doll.
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Lollapalooza para coroar

Os primeiros contatos com a música ocorreram em meados de 90. De lá pra cá, teve duas bandas, "Groove" (1998-2002), da qual herdou o nome artístico, e "O Sonso" (2004-2010), até seguir carreira solo, que resultou nos discos "Giramundo" (2013) e "Romance Pra Depois" (2015). Com trajetória reconhecida pela crítica, Daniel se tornou um dos compositores e intérpretes mais irreverentes da sua geração. O ano de 2017 vai coroar a caminhada na música com show no Lollapalooza, um dos maiores festivais de rock do mundo.


[QUOTE1]As indicações, os prêmios, as críticas positivas e o convite do Lolla são motivos de felicidade nestes quase 20 anos de carreira, que serão completados em 2018. Entretanto, o cearense tenta encarar os resultados dos trabalhos com naturalidade e humildade para não cair em deslumbramento. "O Lollapalooza, as indicações, os prêmios que estamos ganhando são reflexo de trabalho feito com seriedade e dedicação. Mas eu falo para os meninos da banda: 'é mais um dia de trabalho'. Vivo muito o momento da criação, esse é meu barato, fazer o disco. O reflexo disso tudo, eu nem me empolgo muito. Quando você está ansioso pode acabar se frustrando. Quero estar sempre chegando, e o Lollapalooza é um passo desse sempre chegando", explica.


Daniel conta que a produção do festival procurou o produtor do cearense, Paulo André, pedindo indicações. "Eles ouviram e gostaram bastante da gente. Nos procuraram, disseram que tinham interesse de ter a gente no Lollapalooza neste ano. Foi algo muito feliz e gratificante", diz Groove, que relembra os tempos de criança e o sonho distante de tocar em um grande festival.


"Quando eu era 'pivete', começando a tocar nas bandas de garagem de Fortaleza, nos anos 90, via os festivais pela TV. No íntimo, sonhava em tocar num festival desses, mas nem no maior dos sonhos achava que isso iria se concretizar", completa.
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'Romance Pra Depois' em Fortaleza
O atual trabalho do cearense veio em um momento de separação de uma relação que durou dez anos. O músico estava no processo de criação de um disco em outra direção até passar pelo momento do fim do relacionamento. "Vamos combinar, o 'Romance' é um disco de fossa mesmo. O Giramundo é mais solar, com um personagem mais otimista. No 'Romance Pra Depois', ele deu com os burros n’água, fracassou em geral mesmo. É um disco muito conceitual da minha vida".


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No show em Fortaleza, Daniel promete tocar todo o disco "Romance Pra Depois", que também estará à venda no dia da apresentação. Além disso, Groove emplacará o repertório de "Giramundo" na apresentação. "Vai ser um show especial, estou me sentindo de volta a minha terra, reencontrando o nosso espaço. Vamos tocar os dois discos, o melhor que a gente tem. A cidade está vivendo um momento especial também. Passou aquela máxima de que 'santo de casa não faz milagre'. Por muito tempo, isso foi muito forte, mas de uns tempos pra cá, estamos conseguindo subverter", garante ele.


Para o músico, o público tem valorizado cada vez mais o som local. "A gente tem público agora, que não tem vergonha de gostar de si mesmo. Por muito tempo a gente gostou do que Recife fazia, do que Belém fazia, que fazem coisas muito boas mesmo, e a gente quer continuar recebendo a turma do Brasil inteiro. Mas percebemos que a gente faz muito coisa boa também e o público percebeu isso".


"Romance Pra Depois" chega às lojas em março. O disco, que conta com a parceria entre o selo SeteSóis, a editora Sony e distribuição da Tratore, terá tiragem nacional. Segundo Daniel, está nos planos lançar LPs, mas na ordem cronológica dos álbuns do cearense.
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Início: surfe, punk e rock
Devido à rotina de trabalhos dos pais, Daniel foi criado na casa das avós, na Aldeota antiga. Depois a família se mudou para a Praia do Futuro. E a criação do músico se resume na conexão praieira da Praia de Iracema e do Futuro, por onde se divertia praticando o surfe e deu os primeiros passos musicais.


"Vivi a juventude na Praia do Futuro, gostava de surfar. Passava o dia na praia. Via vídeos de surfe e sempre tinha aquelas banda que tocavam nos vídeos. Comecei a curtir bandas como o Ramones, me apaixonar também pela coisa do rock. O Ramones é muito importante na minha vida por causa do punk, da ideia de que qualquer um pode tocar. E eu não tocava porra nenhuma, era mais bandalheiro, queria brincar, me divertir", conta.
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Na rotina de surfe no pico da Ponte Metálica, na Praia de Iracema, ele teve contato com outros músicos importantes da cena atual. "Na Ponte Metálica, era todo o dia surfando. Na época, começamos a descobrir o som de outras bandas da geração em que vivíamos, que resultou em vários artistas. O Fernando Catatau tinha a Companhia Blue, o Danilo Guilherme, A Tribo, o Régis Damasceno, o Velúria. Era uma cena seminal, início dos anos 90".


As primeiras apresentações saíram da parceria com o primo Otávio, hoje neurocirurgião. Os dois encontraram um contrabaixo de um tio na casa da avó e tiveram aulas informais com um funcionário da matriarca que tocava forró. "Ele (funcionário) começou a mostrar pra gente e meu primo se interessou. Decidimos montar uma banda. A gente passava o dia inteiro indo em lojas de instrumentos musicais e fazendo orçamento para um dia comprar. Não existia sala de ensaio. Minha mãe era uma santa, aguentava três a quatro bandas ensaiando na casa dela. As bandas eram horríveis", relembra.


Em 1998, Daniel criou a "Groove" e deu início a carreira profissional na música. O grupo chegou a lançar o disco "Tá na mão", em 1999. No começo dos anos 2000, o cearense liderou a banda "O Sonso", parceria que rendeu um disco homônimo em 2010.

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Serviço:
Show de lançamento do CD Romance Pra Depois, de Daniel Groove
Local: Anfiteatro Dragão do Mar
Dia e hora: domingo, 20h
Acesso gratuito (Retirada de ingressos 2h antes do início do show, na bilheteria do Anfiteatro)

[SELOMUSICADRAGAO] 

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