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Com leitos lotados, HGF cancela provisoriamente internações eletivas

Documento interno indica que o hospital trabalha com 140 pacientes a mais do que a capacidade de leitos. Associação dos Médicos do HGF denuncia desabastecimento de materiais e falta de funcionários

16:35 | 18/10/2016
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A direção técnica do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) determinou o cancelamento provisório de internações eletivas e a priorização de cirurgia dos pacientes internados, dentre outras medidas paliativas, na última sexta-feira, 14. O pacote de providências foi anunciado em circular interna, direcionada ao corpo clínico da unidade, devido à alta taxa de ocupação de leitos e atendimentos extraleitos, ou seja, pacientes atendidos nos corredores. A assessoria diz que as cirurgias eletivas ocorrem normalmente.

O HGF possui 563 leitos, com atendimento de 63 especialidades e subespecialidades, conforme dados fornecidos pela assessoria de imprensa da unidade. O memorando do HGF, enviado ao O POVO Online no fim de semana, indicava cerca 140 atendimentos extraleitos. O quadro é quase tão alarmante quanto o publicado pelo O POVO no início de abril deste ano, em que o HGF e o Hospital de Messejana somavam, juntos, 201 pacientes nos corredores.

"Os médicos estão precisando de confirmação dia a dia para as cirurgias, e não existe garantia. Houve uma redução [dos atendimentos nos corredores] nesse sábado e domingo (dias 15 e 16 de outubro), mas a cirurgia fica a critério do diretor clínico", afirmou, por telefone, Jaime Benevides, presidente da Associação dos Médicos do HGF.

A entidade denuncia desabastecimento de materiais e cobra aumento do número de profissionais de saúde. "A precarização compromete o atendimento das cirurgias eletivas. Não houve nada, absolutamente, muito ou pouco diferente das denúncias de seis meses atrás. Continuamos com os mesmos problemas por falta de condições, de materiais básicos", enfatiza.

Na última semana, há relato de falta de reagentes para transfusão de sangue, por exemplo. Os médicos entregam ofícios sobre as dificuldades "praticamente todos os dias", de acordo com Jaime. "A gente até sabe que tem boa vontade para resolver. Entendemos que o problema maior não é do hospital, mas do modelo administrativo atual", pondera.

Resposta
O POVO Online enviou sete perguntas, relacionadas às medidas, para a assessoria de imprensa do HGF. Em nota, o HGF diz que as ''cirurgias eletivas ocorrem normalmente'', mas confirma que ''adotou medidas para melhorar a assistência da emergência, com o acolhimento de acordo com a classificação de risco, priorizando os atendimentos de urgência".

A assessoria disse que a situação dos reagentes foi regularizada desde a última quinta-feira, 13 de outubro, e a assistência não foi prejudicada. Em relação ao quadro funcional, o HGF diz que realiza estudos de redimensionamento para melhor atender à demanda crescente.

O prazo da conclusão da obra da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) não foi informado. Atualmente, a unidade possui 4.557 funcionários, entre profissionais de saúde, de serviços gerais e outros setores. Desses, 519 são médicos.

Nos dias 15 e 16 de outubro, ainda conforme a assessoria,  foram realizados 164 atendimentos emergenciais, 97 internações, 11 cirurgias de urgência e emergência, 69 altas e 163 atendimentos extraleitos com cuidados de especialistas. 

Confira a lista de medidas anunciadas para amenizar a superlotação:

1. Cancelamento provisório de internações eletivas;
2. Priorização de cirurgias de pacientes já internados;
3. Admitir pela emergência pacientes na Classificação Vermelha segundo protocolo de Manchester e AVC em fase de janela terapêutica;
4. Envio de documento à SRU solicitando liberação para contratação de mais um médico prescritor de pacientes de emergência internados em enfermarias de outras especialidadses ("ectópicos"), explicando situação atual, impacto financeiro e plano de contingência.
5. Liberação por esta Diretoria para contratação de horas extra de enfermagem pela COOSAÚDE, a serem cumpridas no Núcleo Interno de Reguação (NIR), exclusivamente ara o próximo fim de semana.
6. Contratação de mais um médico prescritor para os leitos excedentes da emergência.
7. Utilização temporária da ALA C para acolhimento de pacientes no pós-operatório, com perfil de sala de recuperação.
8. Priorização junto ao setor de manutenção para a conclusão das obras da antiga UNIDADE DE CUIDADOS ESPECIAIS (UCE) que irá se transformar em UNIDADE DE CUIDADOS PROLONGADOS (UCP), disponibilizando mais 15 leitos devidamente cadastrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), inclusive incrementando a receita/repasse do SUS a este Hospital.

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