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'Voltamos ao mesmo dia em que mataram ele', diz irmã de pedreiro após julgamento de PMs

Os policiais acusados pela morte do pedreiro foram absolvidos por júri popular

20:03 | 29/09/2016

O desfecho das 16 horas do julgamento dos acusados de torturar e matar o pedreiro Francisco Ricardo Costa, conhecido como "Tico", fez a família da vítima voltar à estaca zero na luta por justiça. Passados dois anos e sete meses do crime, os policiais militares José Milton Alves Maciel Júnior, Washington Martins Silva e Dennis Bezerra Guilherme foram absolvidos por júri popular da acusação de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa).


"Nós estamos sofrendo muito. A família está muito abalada. Toda a investigação que fizeram. Foram dois anos e sete meses trabalhando no caso e, nessas 16 horas, acabou tudo. Não deu em nada. Parece que voltamos ao mesmo dia em que mataram ele", disse a irmã de Tico, a costureira Antônia Costa, 36 anos. Ela esteve ao lado de outros familiares durante toda a sessão, que teve início às 9h30min de quarta-feira, 28, e terminou por volta das 2h30min desta quinta-feira, 29.


No período até o julgamento, os policiais acusados pelo crime foram presos e expulsos da Polícia Militar (PM). A família de Tico dava como certa a condenação do trio na sessão no 1º Tribunal do Júri Fórum Clóvis Beviláqua.


"Foi uma surpresa (a absolvição). A gente estava lutando para ter justiça pela morte do meu irmão, estava lá (no julgamento). Foi difícil, estamos vivendo tudo de novo. A esperança, com certeza, era de que eles saíssem condenados", comentou a irmã da vítima.


No momento da decisão do júri, as famílias, tanto da vítima, quanto dos réus, tiveram que deixar a sessão e ficar em salas separadas instaladas no Fórum Clóvis Beviláqua. Antônia conta que foi informada do resultado da votação por uma mensagem via celular enviada pelo promotor do caso, Rafael de Paula.


"Ficamos ali desesperados. Quando disseram que não iam condenar porque não tinham provas, porque ninguém viu que eles tinham matado o meu irmão, ficamos revoltados. Dois anos e sete meses de investigação apontando que eles eram os culpados e, no dia, foram absolvidos. De última hora, teve esta reviravolta. Está sendo muito difícil passar por isso de novo", relatou ela.


De acordo com a costureira, o promotor do caso recorrerá da decisão do júri. "Não vamos desistir, vamos começar a lutar de novo. A batalha será maior, agora estão soltos", finalizou Antônia.

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