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MP vai recorrer da decisão que absolveu PMs pela morte de pedreiro

Os policiais militares José Milton Alves Maciel Júnior, Washington Martins Silva e Dennis Bezerra Guilherme foram inocentados em julgamento que durou 16 horas no 1º Tribunal do Júri Fórum Clóvis Beviláqua

11:11 | 30/09/2016

O Ministério Público do Ceará (MP-CE) irá recorrer da decisão do júri popular, que absolveu três policiais militares (PMs) do crime de homicídio triplamente qualificado contra o pedreiro Francisco Ricardo Costa, o “Tico”. Segundo o promotor Rafael de Paula, responsável pela acusação no julgamento dos PMs, ele deve dar entrada no recurso até a o fim da próxima semana, no Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE).


Para o promotor, a decisão do júri foi equivocada. Os policiais militares José Milton Alves Maciel Júnior, Washington Martins Silva e Dennis Bezerra Guilherme foram inocentados em julgamento no 1º Tribunal do Júri Fórum Clóvis Beviláqua, que durou 16 horas, tendo início na manhã de quarta-feira, 28, e sendo finalizado na madrugada desta quinta-feira, 29.

%2b 'Voltamos ao mesmo dia em que mataram ele', diz irmã de pedreiro após julgamento de PMs

Os primeiros quatro votos do júri a favor dos PMs, revelados pelo juiz da sessão, Eli Gonçalves Junior, já determinaram a absolvição dos réus. Portanto, não houve a necessidade de revelarem como votaram os outros membros do júri.

Defesa critica investigação
A principal tese apresentada pela defesa dos policiais militares é de que a investigação sobre o caso foi feita de forma irregular. Os advogados Daniel Maia, Cândido Albuquerque e João Victor Duarte buscaram mostrar que houve falha em uma prova da acusação sobre o GPS da viatura dos PMs acusados, gerando dúvida no júri.


Segundo o advogado Daniel Maia, a primeira prova era um GPS utilizado na viatura, que estaria marcando o caminho percorrido pelos PMs desde o local onde a vítima foi apreendida, na rua Francisco Glicério, até onde ocorreu a execução. A segunda, conforme Maia, são imagens de câmeras particulares de casas e estabelecimentos, que indicavam esses pontos de GPS.


"A defesa desmoralizou a acusação quando mostrou que a informação do GPS estava errada. Primeiro porque no mapeamento do GPS havia uma informação do técnico do serviço de inteligência da Polícia de que aquele aparelho estava com problema desde novembro de 2013, e o crime se deu em fevereiro de 2014. O equipamento estava desregulado, dizia hora e local errados", comentou o advogado Daniel Maia.


Para a defesa dos PMs, a investigação errou ao colocar duas imagens dos dois locais de apreensão e execução. "Duas viaturas completamente diferentes. Na primeira, aparece uma viatura com o globo, um GPS em cima. Na outra imagem, a viatura já está sem o GPS. Para justificar, eles fizeram uma montagem e o MP (Ministério Público) não atentou", disse Maia, que acredita que esta foi a prova decisiva.


De acordo com os advogados, nenhuma testemunha conseguiu identificar os autores do crime, nem os réus e o número da viatura. "A investigação não buscou procurar o assassino, mas sim incriminá-los (os PMs). Os elegeu assassinos. Diante disso, não conseguiu produzir nenhuma prova", afirmou Daniel Maia.


Promotor não vê falha
O promotor Rafael de Paula não crê em falha na investigação e diz que a defesa fez o papel dela de pôr dúvida no júri. Segundo ele, não houve montagens nas imagens das viaturas. O membro do MP afirma que a outra viatura que aparece nas filmagens estava fora do perímetro do crime.


"As duas filmagens do processo mostram uma viatura, que é a dos acusados, e outra que não tem nada a ver com o processo e teria transitado na região, mas, mais acima. Eles (a defesa) trouxeram essa dúvida, mas não era a viatura deles (os PMs) que estava foram do perímetro do crime", comentou o promotor.

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