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"Quero levar minha experiência para o Ceará", diz voluntária dos Jogos Olímpicos

A 31ª edição dos Jogos Olímpicos termina no próximo domingo, 12. No dia 7 de setembro é a vez dos atletas paralímpicos entrarem na arena

18:34 | 16/08/2016
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"É o momento de me realizar". É dessa forma que a jornalista Laurisa Nutting, de 54 anos, assume o compromisso de trabalhar nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Ela se junta às 50 mil pessoas, vindas de 156 países, que devem trabalhar na primeira Olimpíada do Brasil. 

A 31ª edição dos Jogos Olímpicos foi aberta no último dia 5, com cerimônia no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. Os voluntários começaram a trabalhar já no dia anterior. É o que conta a profissional de marketing Riciele Schner, de 29 anos. "Cheguei no Rio de Janeiro sabendo apenas a função e a instalação que iria ficar", diz a comunicóloga. 

Schner desembarcou no 31 de julho e foi surpreendida pela dimensão do evento. "Tem muita coisa acontecendo na cidade inteira nessa época, não sabia o que imaginar", conta empolgada, em entrevista ao O POVO Online, por telefone. Durante a conversa, Riciele estava a caminho do Estádio Olímpico Nilton Santos, ou simplesmente, Engenhão. "É fantástico trabalhar aqui porque cada dia é algo diferente. Aprendo muito com a cultura de cada país e com o que acontece nos bastidores, como o contato com os atletas".
 

A catarinense veio ao Ceará para visitar a família, há 10 anos, e não quis mais sair. "Eu sou do Ceará porque é um estado que eu adotei", defende. E é para cá que quer trazer a bagagem que está adquirindo no Rio. "Vi que seria uma oportunidade única de trabalhar na minha área nos Jogos". Riciele é formada em Marketing pelo Centro Universitário Estácio do Ceará, com MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Fortaleza. Selecionada inicialmente para uma área de gestão do evento, trabalha no setor de comunicação.
 
A oportunidade veio com um ônus: era preciso deixar seu trabalho na época para se dedicar aos 18 dias dos Jogos. "É uma experiência grandiosa, principalmente profissional, mas é também uma vivência pessoal", explica. "Quero levar minha experiência do Rio 2016 para o Ceará". Longe da família e dos amigos, Riciele decidiu gravar vídeos para compartilhar os momentos com amigos nas redes sociais.
 
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"Trabalho voluntário assusta as pessoas" 
 
Schner divide apartamento com pessoas de outras áreas como Direito, Publicidade, Psicologia e até Engenharia. Além de um paraense e um potiguar, ela convive com pessoas da Argentina e do Uruguai. Mesmo contando uma experiência acima da própria expectativa, ela diz que nem todos ficaram satisfeitos com o trabalho assumido. "Tenho colegas que ficaram desapontados porque esperavam realizar outra função e gente chateada porque veio de outro país e ficou com a escala pequena", relata. Quem trabalha menos acaba precisando desembolsar mais, já que os voluntários só recebem alimentação e transporte pelos dias trabalhados.

"Dizer que o trabalho é voluntário assusta e afasta as pessoas. Várias pessoas torceram o nariz quando disse que estava vindo pra cá sem ganhar nada. Teve gente do meu grupo que desistiu por pressão da família", continua. "Mas tem quem veio por amor, que veio trabalhar e acaba aproveitando o turismo. Eu não me arrependo. Sei que é uma experiência engrandecedora. Quanto mais eu conto para as pessoas, mais eu sei que fiz a escolha certa". 
 
Processo de amadurecimento 
 
Schner está inscrita também para os Jogos Paralímpicos. A jornalista Laurisa Nutting se prepara para embarcar, no próximo dia 3 de setembro, para o Rio de Janeiro. Nascida na serra de Guaramiranga, a 102 km de Fortaleza, a cearense não esconde a animação com o que está por vir. "Amo esporte, fui uma boa corredora. E tenho uma ligação muito forte com pessoas com necessidades especiais", conta. "Ir para as Olimpíadas é a oportunidade de juntar essa paixão com a convivência com essas pessoas que me ensinam muito". 
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"Quero trabalhar nas quadras, ajudar na recepção das pessoas. Eu quero olhar, interagir com as pessoas, enxugar a quadra. Quero fazer esse trabalho pesado de contato direto mesmo", afirma. Dedicada ao trabalho voluntário nos últimos anos, Nutting é também escritora. Em 2009, ela lançou o livro infantil "Quem quer ser bicho?". A renda foi revertida para a organização não-governamental Casa Sol Nascente, que abriga adultos soropositivas e crianças que sofrem as consequências do HIV.
 
A ideia de se voluntariar, conta, veio em 2013, na época da Copa do Mundo. "Foi um processo de amadurecimento, mas quando me apaixono por uma coisa, largo tudo o que tiver", conta. "Minha família está acostumada com minha movimentação. Sabe que sempre há algo que me arrebata. Eu sou movida a paixão", diz animada.
 
"Eu gostaria que as pessoas tivessem o privilégio que eu vou ter em participar. Trabalho voluntário enriquece", continua. "Eu sou tão apaixonada pela vida e essa experiência aumentou minha vontade viver". Os Jogos Paralímpicos vão do dia 7 ao dia 18 de setembro próximo.
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