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Projeto do Iprede é escolhido para desenvolver pesquisa sobre primeira infância

O projeto que atua diretamente no âmbito familiar estreitando laços afetivos recebeu um financiamento de R$150 mil para realizar estudos na área

18:41 | 05/08/2016
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O projeto "Formação de Vínculo na Adversidade: para uma Infância Melhor", do Instituto da Primeira Infância (Iprede), organização não governamental e iniciativa de extensão da Universidade Federal do Ceará, foi um dos quatro brasileiros selecionados pelo programa ILab Primeira Infância para ganhar o financiamento de até R$ 150 mil para desenvolver pesquisa nesta área.

Os quatro projetos brasileiros, juntamente com outros aprovados no México, serão apresentados na Oficina Clusters da América Latina, que será realizada na Universidade de Harvard, Estados Unidos, nos próximos dias 10, 11 e 12. O projeto do Iprede pretende atuar com 15 famílias da Regional III de Fortaleza a teoria do apego em situações de vulnerabilidade. A ideia é gravar vídeos nos ambientes domésticos dessas famílias, mostrando cenas dos próprios pais nas horas em que eles estão cuidando das crianças com menos de três anos.

O projeto

A Professora Márcia Machado, Pró-Reitora de Extensão da UFC, que representará a equipe do Iprede/UFC no encontro, explicou o projeto em entrevista ao O POVO Online. “O primeiro aspecto é trabalhar com famílias pobres, em área de risco. O Iprede já desenvolve um trabalho como esse há 25 anos, com famílias nas imediações da regional III”. Márcia fala sobre a intensificação do trabalho com os pais. “A gente vai fazer um novo tipo de intervenção – envolvendo o homem, tentar ampliar com o pai”. As abordagens serão focadas no envolvimento do afeto familiar, é o que exemplifica a pró-reitora: “As intervenções utilizam filmagem. Com a câmera ligada, gravamos por uma hora a relação com pais e filhos dentro de casa e depois, a gravação é editada e mostrada para os pais por um profissional treinado, que é o mediador. Ele solicita que os pais identifiquem situações positivas (normalmente os pais não encontram, acham que estão fazendo errado), e a função do mediador é apontar os acertos, em vez de punição e julgamento”.


Com oito visitas na casa dessas famílias, os mediadores atuam de forma conselheira, acolhedora e incentivadora.“Será feito um trabalho de orientação, explicando como fazer para melhorar os vínculos, como contar histórias alegres, tratar o filho pelo nome, valorizar a criança, cantar músicas, dar elementos para os pais”. A professora conta como será a atuação nesse sentido. “A equipe da pesquisa vai enviar mensagens para os pais, por e-mail ou smartphone”. A docente elucida as frases de impacto e reflexão: “Você já falou para o seu filho como ele é lindo? Você deu bom dia para o seu filho? Já brincou com seu filho hoje? Já abraçou o seu filho hoje? Correu na rua com ele?”.


“E com isso, a pesquisa vai avaliar do início ao fim, com diversos instrumentos, o que mudou nas relações parentais no decorrer dessas 16 semanas”, conclui a profissional sobre a ação sistemática do projeto. As crianças envolvidas na pesquisa terão de 0 a 3 anos. “Hoje a neurociência mostra que de 0 a 3 anos estão em uma fase de “janelas de oportunidades”, porque todo o cérebro da criança está com o neurônio ativo, recebendo o máximo possível de mensagens. É um período para se colocar muita coisa boa, trabalhar para no futuro, ter crianças mais seguras, não só com os pais, mas como pessoas da comunidade. Nós trabalhamos no enfoque da violência, o mundo está buscando alternativas, e a gente vai testar”.

[SAIBAMAIS3]
A educadora reforça que o projeto é um piloto, e que dependendo do resultado, a proposta é lançar um edital maior, em vez de apenas 15 famílias, fazer em larga escala.

A idealização abrange outras questões que interferem diretamente no âmbito familiar – o empoderamento da mãe, valorizando a mulher, iniciativa já praticada no Instituto Primeira Infância. “No Iprede trabalhamos a questão de vínculos e apego, quanto mais amplia o laço dos pais com a criança, dá mais segurança à ela. Existe uma grande dificuldade de tirar a visão que só mãe deve cuidar do filho, até por se tratar de uma herança cultural, do homem não ajudar em casa e, isso a gente tenta trazer, para que ele aprenda a contar história, trocar fralda, brincar com o filho”.


O trabalho que foi proposto pelo Iprede, em parceria com o Instituto Vila Educação e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem na sua coordenação, além da Professora Márcia Machado, os professores Álvaro Jorge Madeiro Leite e Sulivan Mota (ambos da UFC), Ana Luiza Colagrossi e Georgia Vassimon (ambas da Vila Educação) e Antonio Ledo Alves da Cunha (UFRJ).

ILAB Primeira Infância

O ILab Primeira Infância é um programa do Núcleo Ciência para Primeira Infância, iniciativa colaborativa que envolve a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e entidades que trabalham com primeira infância, incluindo importantes instituições acadêmicas, como a Universidade de Harvard; a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e o Insper, também de São Paulo. O ILab tem como objetivo criar estratégias com potencial de transformar a vida de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

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