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Jovem denuncia agressão por homofobia na Praça da Gentilândia

Segundo relato, pelo menos 10 pessoas agrediram o jovem, o namorado e amigos. Para Coordenadoria LGBT do Estado, acesso à Internet deu visibilidade aos casos, mas ainda há dificuldade de tipificar crime de homofobia

17:10 | 27/07/2016
Na última sexta-feira, 22, pelo menos dois rapazes foram agredidos por mais de 10 homens na Praça da Gentilândia, no bairro Benfica. Uma das vítimas relatou, por meio das redes sociais, que as agressões tinham motivação e características homofóbicas. A Coordenadoria Estadual de Políticas Públicas para o público LGBT do Ceará solicitou medidas junto à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) sobre casos de homofobia em Fortaleza.

No início da madrugada de sábado, 23, um estudante publicou, em seu perfil no Facebook, o relato de agressão sofrido por ele, seu namorado e amigos na Gentilândia. A vítima, que pediu para não ser identificada, narrou que estava beijando seu parceiro quando "um traficante" deu um murro em seu rosto falando "eu já avisei". Conforme o jovem, o agressor é o mesmo que já havia espancado um amigo em outra ocasião. 

O rapaz escreveu em sua postagem que, quando correu para fugir, os agressores quebraram garrafas e o ameaçaram. Ele afirma que não é a primeira vez que casos de homofobia acontecem na praça e cobra mais segurança para o local. O POVO Online contatou o jovem, mas não foi possível realizar entrevista. 

"Estou me sentindo muito mal e impotente sobre tudo que aconteceu. Não quero deixar passar em branco", escreveu na rede social. "Peço ajuda de todas as LGBTs e simpatizantes para mostrar que a Gentilândia é nossa, o Benfica é nosso, e que a gente não vai se calar diante de toda essa situação agressiva. Eu estou pedido socorro", desabafou. 
 
O títular da Coordenadoria LGBT, Renan Ridley, lembra que não existe no Brasil lei específica para combater casos de homofobia, o que dificulta o registro desses crimes. "(Crimes de homofobia) sempre existiram. O que torna mais fácil a divulgação é o avanço das redes sociais. Os casos ficavam tipificados como outros tipos de crimes", disse em entrevista à Rádio O POVO CBN (FM 95.5 AM 1010).
 
"Os dados não estão muito concretos porque a gente não tem um crime que tipifique a LGBTfobia. Infelizmente, às vezes, entra como agressão, mas não como crime de ódio", explica Ridley. "Existe hoje acesso ao direito e à liberdade muito mais aflorado. As pessoas querem exercer sua cidadania e seus direitos como qualquer outro ser humano".
 

Na última terça-feira, 26, o titular da Coordenadoria Estadual de Políticas Públicas para o público LGBT se reuniu o Comando da Polícia Militar solicitando reforço na área do Benfica. "Para além da agressão LGBTfóbica, também tivemos outras violações. Especialmente no Benfica, não é a primeira vez que acontece", diz o coodenador. 
 
O que diz a Polícia 

A Polícia Civil do Estado do Ceará orienta que vítimas da agressão registrem um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o fato. Em nota, a SSPDS explica que o procedimento é fundamental para o andamento das ações policiais. "Assim como em outros casos, todo e qualquer ato de violência deve ser denunciado".
 
"Em relação ao policiamento ostensivo realizado na área, os moradores e frequentadores da região da Praça da Gentilândia contam com o patrulhamento efetuado por policiais do Comando de Policiamento Comunitário (CPCom) e do POG, com o apoio de policiais do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio)", diz a nota.
 
A SSPDS explica ainda que constantes abordagens são efetuadas visando combater o tráfico de drogas no local. "A Polícia Civil também esclarece que trabalhos de investigação desenvolvidos pela Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas, neste ano, já resultaram nas prisões de algumas pessoas por tráfico na região. O serviço de inteligência continua e visa identificar o responsável por fornecer entorpecentes na área", conclui. 
 
Denuncie 
É possível acionar o Policiamento Ostensivo Geral (POG), que faz patrulhamento na área da Praça da Gentilândia, pelo número (85) 3457-1036. O 190, da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), fica 24 horas à disposição para receber chamadas de ocorrências. Além desses números, há o Disque 100, mecanismo criado pelo Governo Federal que possibilita fazer a denúncia garantindo às vítimas o anonimato.
 
No Ceará, além da Coordenadoria Estadual de Políticas Públicas para o público LGBT, há o Centro de Referência Estadual em Direitos Humanos (3101.2998/2960), na rua Dom Pedro II, na Parangaba, que conta com advogados para encaminhar este tipo de denúncia. A Prefeitura de Fortaleza também acolhe denúncias por meio do Centro de Referência Janaína Dutra, na rua Dom Pedro I, 461, no bairro Centro.
 
Redação O POVO Online
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