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Espaço subterrâneo na Praça Portugal já foi abrigo para maquinário de fonte e material de limpeza

A dependência subterrânea foi encontrada durante as obras na Praça Portugal e surpreendeu equipe responsável pela reforma. Seuma, no entanto, afirma que a existência do espaço era conhecida desde o início da obra

17:53 | 20/07/2016
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Versões sobre o que seria o espaço subterrâneo encontrado durante as obras na Praça Portugal, na Aldeota, têm sido levantadas por leitores. Quem rememora a história do logradouro aponta que, antes de ser desativado e se perder embaixo de uma laje de concreto, o quarto funcionara de casa de máquinas de uma fonte e depois como um local de apoio para a antiga companhia de limpeza da Cidade.

A dependência foi descoberta, recentemente, após serem retirados o piso e a pavimentação. O engenheiro responsável pela obra, Eduardo Costa, afirmou, em matéria publicada nesta quarta-feira, 20, que desconhecia o espaço e que uso era feito dele. Ainda na terça-feira, 19, O POVO procurou o historiador Airton de Farias e o professor de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC) José Sales para tentar saber a origem do quarto subterrâneo. Os dois comentaram sobre a construção inicial e as diversas reformas, mas afirmaram também não ter conhecimento sobre o espaço subterrâneo.

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O jornalista Luciano de Almeida Filho comentou, por meio do perfil pessoal no Facebook, que a praça possuía uma fonte luminosa e que no subterrâneo ficava o maquinário. “O caso é tratado quase como uma descoberta arqueológica e fala que os engenheiros desconheciam o subterrâneo. Ou seja, os profissionais não estudaram as plantas anteriores do lugar”, criticou.

A lembrança da leitora Maria Selva, que morou no entorno da praça desde os idos dos anos 1970, é do tempo que na praça ainda existia um espelho d'água com um obelisco. “Era um lago luminoso, onde tocava música clássica”, conta. O leitor Roberto Mota, reacendendo as memórias da infância, detalhou que o quarto foi “construído para abrigar as bombas, o equipamento de som e demais dispositivos destinados a sincronizar o funcionamento das fontes de água com a música que tocava e com as cores das luzes dos holofotes”.

Nas matérias, pesquisadas no banco de dados do O POVO, sobre as seguidas reformas pelas quais a praça passou a fonte é citada como parte do projeto arquitetônico, 1992, e há tentativas de reativá-la, 1998.

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Após a desativação da fonte, no entanto, o espaço da dependência passou a ser usado como apoio para antiga Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb) - hoje Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor). Trabalhando no período de 1998 a 2003 como fiscal dos serviços de limpeza da região no entorno da Praça Portugal, Edmilson Carneiro, 56, hoje auxiliar administrativo da UrbFor, conta que no quarto eram guardados material de limpeza, irrigação e jardinagem.

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“Tinha um portão que protegia a entrada, com dois cadeados grandes. Mas, muitas vezes, quebravam os cadeados e furtavam o material”, relembra. Ainda em 2003, as equipes de limpeza passaram a ser volantes, levando e recolhendo o material a cada dia e o espaço perdeu a função.

A praça passou por intervenção com nova iluminação em 2005 e obra de restauro em 2008. Sobre como foi soterrado pela laje de concreto que o encobria, O POVO não encontrou registro. Com a recente reforma, o espaço será reativado e voltará a ser usado de apoio para profissionais que farão a manutenção.

Seuma

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) informou que, diferente do que foi dito durante visita à obra, "o espaço já era de conhecimento da equipe desde o início das obras". "A equipe técnica da Prefeitura, formada por arquitetos, urbanistas, engenheiros e demais profissionais, realizou todos os estudos previstos na legislação vigente", afirmou.

Questionada sobre o cubo com o monumento que foi removido da praça, a Seuma explicou que "todos os monumentos serão revitalizados e permanecerão no local. O cubo foi removido, pois a sua estrutura estava totalmente comprometida com risco iminente de queda. Este será erguido novamente mantendo as mesmas características".

Saiba mais

Em 1991, durante a reforma na Praça do Ferreira, no Centro, foi descoberta uma cacimba, apontada como histórica e procurada pelos arquitetos responsáveis pelo projeto, Fausto Nilo e Delberg Ponce de Leon.

A cacimba, também encontrada embaixo de uma laje de concreto, era resquício da Praça do Ferreira original e, no século XIX, era o lugar em que os "biscates que faziam a rota praia-sertão paravam para descansar e dar água aos animais".

Conforme é narrado na matéria do O POVO de 29 de setembro de 1991, "a cacimba marca o centro da Feira Nova,que era o coração de Fortaleza no ano de 1877".

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