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Distribuição de soro antiofídico está irregular em Fortaleza, diz setor do IJF

O Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) conta hoje com 10 pacientes de picada de jararaca. Desses, três estão sem receber o tratamento completo, incluindo uma criança de 8 anos

15:30 | 04/07/2016
Está faltando soro antibotrópico, usado em tratamento contra picada de jararaca, em Fortaleza. De acordo com o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto Doutor José Frota (IJF), a demanda pelo tratamento por picada de animais peçonhentos aumentou e não há reposição do soro. A distribuição é feita em âmbito nacional pelo Ministério da Saúde. Em junho deste ano, O POVO Online já havia noticiado a suspensão dos soros antivenenos no Ceará.
 
Em entrevista a Rádio O POVO CBN (FM 95.5 AM 1010) a farmaceutica do Ceatox, Karla Magalhães, diz que os acidentes envolvendo jararaca correspondem a 90% dos casos com animais peçonhentos no Brasil. "Diferentemente dos acidentes por escorpião, os acidentes por jararaca não têm outro tipo de tratamento que não seja o soro antiofídico", informa. Três mortes por ataques de animais peçonhentos foram registradas no Estado só neste ano.
 
O IJF conta hoje com 10 pacientes que precisam do soro. Desses, três pessoas, incluindo uma criança de oito anos, ainda não receberam o tratamento pela falta do medicamento. "Os principais efeitos desse veneno são alterar a coagulação sanguínea e levar a problemas renais por atingirem de forma muito aguda os rins. O paciente podem ter desde uma hemorragia comprometedora sistêmica, até insuficiência renal aguda", explica.
 
 
Ainda conforme o Ceatox, a falta do soro é atribuída a uma fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos três laboratórios que produzem o medicamento no Brasil. Os laboratórios estariam "se adequando". Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que "os laboratórios produtores dos antivenenos distribuídos no Sistema Único de Saúde (SUS) passam por readequações em suas linhas de produção".
 
Conforme a pasta, o estado do Ceará recebeu 250 doses do soro antibotrópico só em junho. Nesse mesmo período, foram enviadas para todo o país oito mil doses do medicamento. "Cabe destacar que o Ministério da Saúde acompanha os cronogramas de entregas dos soros com os fornecedores, remanejando os estoques conforme as necessidades de cada localidade", diz a nota. A pasta não esclarece quando a distribuiçao será regularizada.
 
Como proceder 

Centro de Assistência Toxicológica orienta, em caso de incidentes com animais peçonhentos, a realizar uma hidratação rigorosa no local de origem. É indicado que a vítima ingira bastante água, se estiver consciente, para evitar lesão renal. Além disso, é indicado elevar o membro ferido e ficar em repouso. O passo seguinte é procurar ajuda médica. 
Redação O POVO Online
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