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Curso resgata história dos movimentos feministas e discute desafios da luta das mulheres por direitos

No primeiro dia de aula, no próximo sábado, 30, seminário vai apresentar a mulher na obra platônica. Depois, serão discutidas as questões ligadas à libertação colonial e econômica das mulheres

18:10 | 25/07/2016

A palavra "feminismo" ganhou repercussão na mídia nos últimos anos e, por meio na Internet, tornou popular a luta das mulheres por igualdade. Mas antes mesmo de virar assunto na Internet, elas já se organizavam para reivindicar seus direitos e construir saberes. São justamente esses conhecimentos que pautarão o curso ''Feminismos e Filosofia: História, Crítica e Dissidências'', que começa neste sábado, 30, no Espaço do Bem Viver, em Fortaleza. Com duração de 9 horas, o seminário será ministrado pela escritora e ativista dos direitos humanos, Helena Vieira.

A pesquisadora e militante feminista Lara Vasconcelos conta que a organização do curso surgiu da vontade de debater, cada vez mais, as questões do feminismo. "O feminismo tem estado presente no nosso cotidiano com fatos de repercussão nacional. Apesar de certo esforço para fazer com que a militância não se paute tanto pela academia, falta leitura para entender certos conceitos".

Segundo ela, debates parecidos geralmente são realizados no eixo Rio-São Paulo, o que dificultava o acesso das mulheres daqui. "O curso é aberto e se preocupa, sobretudo, com a participação de mães. Isso ainda pensando em um espaço em que elas podem levar seus bebês", frisa.

Helena lembra que, apesar da popularização das lutas, as perspectivas filosóficas e epistemológicas do feminismo como saber são esquecidas. "A gente vem vivendo um período com sérias posições que se intitulam feminismo, mas estão na contramão do feminismo como uma forma de interpretar o mundo", cita.

[SAIBAMAIS 2] Muitas das lutas travadas hoje são demandas históricas dos movimentos de séculos atrás e, por isso, os estudos começarão com o entendimento da ''mulher e o feminino'' nos tempos da Grécia antiga. Além disso, o curso também vai discutir noções de gênero, com a influência também do transfeminismo.

Como mulher transexual, Helena destaca a importância de pensar ainda as influências econômicas e coloniais para as relações de subordinação. "Conforme eu fui percebendo a possibilidade de ser mulher, fui identificando que existia um saber construído por elas. Quando a gente assume um lugar subalterno é importante ler outros 'subalternos' no sentido de atribuir à nossa identidade um outro devir''.

Reações contrárias
Apesar da ênfase do feminismo nas redes sociais, multiplicam-se as críticas ao movimento e ainda os ataques às mobilizações das mulheres. Para Helena, a reação é normal e reflete o pensamento da sociedade. "Seria ingênuo a gente achar que é um pensamento hegemônico. Às vezes a gente acha que há uma revolução feminista, mas esse ainda não é o discurso da rua", avalia.

As movimentações contrárias, segundo Helena, podem servir para construir estratégias e pensar erros. "Serve para a gente pensar que tipo de mulheres estamos deixando de abraçar. Os ativismos podem se descolar da realidade, o que é extremamente complicado. Precisamos estar nos atualizando", completa.

SERVIÇO
Curso Feminismos e Filosofia: História, Crítica e Dissidências
Período: aos sábados (30 de julho, 6 e 20 de agosto)
Horário: 9h às 12 horas
Valor: R$ 100
Local: Espaço do Bem Viver
Endereço: Rua Silva Paulet, 903
Inscrições: 3045-1401
As vagas são limitadas.

Programa da 1ª aula:
A mulher e o Feminino: Da Grécia Antiga à Idade Média
A divisão clássica entre "óikos" e "pólis" (lar e cidade) remonta aos tempos da Grécia Antiga. Esta etapa é a da compreensão da mulher a partir da obra de Platão, que influenciou toda a Idade Média e o surgimento do patriarcado ocidental, a partir das relações de poder e culto dos "Lares" (como nos ensina Fustel de Coulanges em " A Cidade Antiga"). Olhando para a Idade Média, neste tópico interrogaremos os discursos dos padres da Igreja, sobretudo a radicalização tomasiana da mulher em Santo Agostinho. A análise do isomorfismo e das práticas em relação a sexualidade feminina ao longo da Idade Média. O foco da análise será o estudo de caso dos mosteiros cistercienses femininos de León, instituições religiosas de mulheres, em que suas relações estavam livres de qualquer controle masculino.
 

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