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Áreas da Cidade já têm baixa pressão de água

Com a chamada racionalização, a Cagece pretende alcançar economia de 20% do consumo. A estratégia vai ser a redução de pressão da água. O problema são pontos da Cidade onde água já não tem tanta força assim e recebem abastecimento somente por um determinado período do dia

09:39 | 22/06/2016
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A principal estratégia da chamada racionalização da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a redução da pressão da água, já acontece regularmente no morro Santa Terezinha, no bairro Vicente Pizón. Em frente ao mirante, a casa do pastor de igreja protestante Ivonaldo Lopes, 40, fica sem receber água, todos os dias, no intervalo entre 21h e 7 horas da manhã. “É a hora que eles desligam o motor (que leva a água). Quando dá umas cinco horas da tarde, a gente já começa a encher os baldes para garantir o resto da noite”, avisa.

A redução da pressão de água deve ser a principal estratégia proposta pelo plano de racionamento da Capital e Região Metropolitana, que a Cagece deve entregar até o dia 30 deste mês. Segundo Francisco Teixeira, titular da Secretaria dos Recursos Hídricos, em entrevista ao Blog do Eliomar, a execução de redução de consumo deve ser adiantada do dia 1o de agosto para o dia 20 de junho. O intuito do plano é atingir 20% de economia de água. Pelo sexto mês consecutivo, em maio, a meta não foi atingida. 

O cabeleireiro Wagner Silva, 19, precisa fazer malabarismo na hora de atender os clientes do salão, também no morro Santa Terezinha. “Se tiver um atendimento à noite, eu já remarco por dia seguinte, porque não tem condições de atender sem água”, informa. “Ou então, vai ser com o chamado banho de cuia”, rir-se. Ele mostra a torneira do estabelecimento que, mesmo em horário em que o motor está ligado, a água ainda é falha.

No Vicente Pinzón, a pensionista Maria das Graças Félix da Silva, 67, também sofre com o abastecimento irregular. Ela já planeja como vai fazer para não faltar quando o plano de racionalização começar a funcionar. No bairro, a pressão da água já é baixa. “Eu não tenho mais força pra carregar mais baldes d´água. Então, vou precisar comprar. Vai ser ruim porque eu já vou usar um dinheiro que eu já não tenho”, lamenta.

Num conjunto habitacional da Cidade 2000, é raro quando o abastecimento de água é constante durante todo o dia. “Aqui falta mais do que chega. E quando vem, ainda é fraca”, descreve Lindalva Rodado de Lima, 42, dona de casa. A falta d’água ajudou o lavador de carros Wellington Gomes Filho, 27, a economizar. Antes, ele lavava os veículos com mangueira. Hoje, já desenvolveu técnicas de usa um balde de margarina para guardar a água e um pote de margarina. “A única vantagem é essa”, diz.

Há quatro anos, o funcionário público Manoel Brito Junior, 58, peleja com a falta d’água. Ele já perdeu as contas de quantas vezes ligou para a Cagece reclamando das torneiras completamente secas. “A resposta era sempre a mesma: falta pressão para chegar até o meu bairro”, conta ele, que mora no Henrique Jorge. Então, ele mesmo construiu uma cisterna que armazena 750 litros e a instalou no quintal de casa. “Não fosse isso, estaria, até hoje, com falta d’água”, reconhece.
 
Redação O POVO Online 
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