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Alunos da UFC criam "tamagotchi" para ajudar abrigo São Lázaro

Bichinho virtual tem finalidade de motivar o engajamento das pessoas com a ONG, seja por meio de doações financeiras ou adotando animais

11:15 | 03/06/2016
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Estudantes do 3º semestre do curso de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um site e, nele, criaram o Tamagotchi "Ralf", um cachorrinho virtual. O objetivo é promover a sensibilização das pessoas para a adoção dos animais e aumentar as doações financeiras para o Abrigo São Lázaro.

Nos anos 1990, uma das brincadeiras mais populares entre meninos e meninas era cuidar de um bichinho de estimação virtual, o Tamagotchi. Alimentar, dar banho, medicar, colocar para dormir e dar atenção eram as tarefas que cada criança precisava exercer diariamente para não deixar seu animal virtual "morrer". Originário do Japão, não demorou muito para que o brinquedo conquistasse todos os japoneses e, logo, desembarcasse em outros países, incluindo o Brasil.

[SAIBAMAIS 3]Projetado para seguir a mesma lógica do joguinho japonês, Ralf guia os visitantes no site, explica brevemente a trajetória da instituição, mostra histórias de adoções bem sucedidas, e, por fim, induz seu convidado a entrar no mundo Tamagotchi. Nessa última parte, Ralf pede para ser cuidado. Ao clicar em todos os botões referentes a comidinhas, banho, tosa e medicação, o usuário da página consegue cuidar do pet virtual e concluir todas as etapas. Esperto e inteligente, o anfitrião do site não poupa elogios para quem consegue chegar até a fase final. “Que legal! Você leva jeito para cuidar da gente. Aposto que ia amar brincar com meus amiguinhos lá no abrigo”, felicita Ralf.

De acordo com Mardeson Acácio, 20, membro do projeto, o intuito dessa interação é fortalecer os laços entre a pessoa que deseja adotar e o animal que está à espera de um futuro dono. “Caso o visitante deixe de realizar alguma das atividades que Ralf recomenda, uma mensagem de motivação surge na tela e nosso ‘garoto propaganda’ pergunta se a pessoa não quer cuidar dele mais uma vez. Ao mesmo tempo é informado que mais de R$ 30 mil reais por mês são gastos com ração, água, material de limpeza, energia, tosa, clínica e funcionários”.

Raissa dos Santos, 18, também integrante do grupo de designers, complementa que o site foi arquitetado, inclusive, para que os visitantes pudessem entender o trabalho que é realizado pela ONG. “Nós nos preocupamos em criar uma narrativa. Não queríamos colocar logo na home do site a conta bancária e o telefone do abrigo. Achamos que isso poderia soar de forma agressiva ao internauta”, ressaltou.

Diol Almeida, 45, é protetora e voluntária assídua do abrigo há três anos, “vou de domingo a domingo e faço quase tudo lá no abrigo juntamente com dona Roseane, que é a fundadora da ONG”, diz orgulhosa. Ela vê a iniciativa dos estudantes como algo imprescindível para ajudar o abrigo. “Toda ajuda é válida. Gastamos 140 quilos de ração por dia. Atualmente,estamos passando por uma das maiores dificuldades que já presenciamos. Estamos carecendo de recursos. Não temos ração e não estamos recebendo a quantidade necessária de ajuda financeira para efetuar os pagamentos básicos da nossa sede.Cuidamos hoje de 600 cachorros e cerca de 100 gatos”, informa a voluntária.

O site é composto por um layout que segue o padrão da logo do abrigo, com formas arredondadas e cores vibrantes. Em formato que une a simplicidade na organização das informações e a praticidade na comunicação visual, é constituído por banners que mudam de perspectiva, cor e formato a cada clique no mouse. “Por enquanto estamos apenas com a versão para desktop, mas temos a pretensão de tornar o site adaptável ao smartphone”, advertiu Raissa.

Incêndio como ponta pé para o projeto


A ideia surgiu quando uma das estudantes, Mônika Martins, 18, viu na internet, em outubro do ano passado, que 12 cachorros do abrigo haviam morrido sufocados por uma fumaça que atingiu o terreno baldio ao lado do local que funciona a entidade. ”Primeiramente, precisávamos escolher um cliente que exercesse atividades sem fins lucrativos. Na mesma semana em que os professores nos propuseram o trabalho, aconteceu o incêndio no abrigo e eu pensei: ‘Por que não ajudar?’. Aquele era um momento muito delicado para a instituição e, mais do que nunca, eles precisavam de doações de ração, remédio e dinheiro. Além de contribuir com doações imediatas, com a criação do site, iríamos incentivar a adoção de filhotes”, enfatizou Mônika.

Inga Saboia, professora de comunicação visual do curso, enfatiza que a escolha da ONG foi parte fundamental do processo de aprendizado dos jovens. “O ensino superior não pode ser desvinculado da sociedade. Precisa estar cada vez mais voltado aos impactos sociais. É necessário haver uma troca. Se eu aprendo algo, preciso retornar esse conhecimento para a sociedade.É uma questão de responsabilidade social”, classificou a docente.

Ele existe! A história de Ralf

Segundo o que descreve a voluntária Diol Almeida, Ralf tem aproximadamente quatro anos de idade e possui uma trajetória atípica dos demais animais da entidade. “Ele não foi abandonado, chegou sozinho ao abrigo. Um dos nossos funcionários foi deixar o lixo num dia e Ralf simplesmente o acompanhou, entrou no abrigo e nunca mais saiu. Aqui é o céu pra ele”, contou aos risos.

Ela ainda detalha que o animal foi escolhido como o “garoto propaganda” do abrigo pelos estudantes, porque já tem uma fama entre as pessoas que ajudam a ONG: é super popular na página do Facebook do Abrigo e já participou de vários concursos, chegando a ganhar uma tonelada de ração.

SERVIÇO

Cuide do Ralf e ajude o Abrigo
Endereço do site: http://sao-lazaro.esy.es/
Telefone do abrigo: (85) 98626-4775
Conta bancária: Conta BancáriaTitular: Organização Não Governamental São Lázaro | CNPJ: 13043465/0001-71 | Banco: 104 Caixa Econômica Federal |Agência: 0619 | C/C: 3054-6
OP: 003 - Conta Corrente de Pessoa Jurídica
Página no Facebook: Abrigo São Lázaro - Fortaleza/CE

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