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Sejus deve divulgar novo balanço com número de mortos em rebeliões no sistema penitenciário

O POVO apurou que peritos precisaram formar uma força-tarefa para o exame de pelo menos 15 corpos. Até o momento, apenas cinco mortes foram confirmadas

10:44 | 23/05/2016

Pelo menos oito rebeliões e distúrbios foram registrados nos presídios cearenses, no sábado, 21, e no domingo, 22. A Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) já confirmou cinco mortes de detentos encontrados carbonizados, mas um número maior deve ser divulgado a partir das 12 horas desta segunda-feira, 23, conforme a assessoria de imprensa do órgão.

O fim da greve dos agentes penitenciários, na tarde de sábado, não interrompeu a violência dentro das unidades penitenciárias. Estrondos de bombas e tiros eram ouvidos do lado da fora do Complexo Penitenciário de Itaitinga, onde também passavam um rabecão da Perícia Forense e carros do Batalhão de Choque (BPChoque), motos do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas, e carros descaracterizados.

Dois dos corpos carbonizados não foram reconhecidos e será necessário um exame de DNA. O POVO apurou que peritos precisaram formar uma força-tarefa para o exame de pelo menos 15 corpos. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no entanto, não confirma a quantidade de vítimas.

[SAIBAMAIS 4] A visitação nas CPPLs II, III e IV, foi suspensa neste domingo, 22, e a situação permanecia instável. A secretaria de Justiça explicou que não houve novos conflitos, mas o Sindicato dos Agentes e Servidores Públicos do Sistema Penitenciário (Sindasp-CE) relatou rebeliões nessas unidades.

Na manha de domingo, 22, morreram na unidade conhecida como Carrapicho os seguintes detentos: Morreram no local Roberto Bruno Agostinho da Silva, 23 anos, preso por homicídio; Rian Pereira Paz, 33, que respondia por tráfico de drogas; e Daniel de Sousa Oliveira, 22, que respondia por homicídio e latrocínio.

Um preso que estava na Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL IV) descreveu um cenário de destruição na unidade. Ele relatou falta de luz, água e comida. Também criticou a superlotação nas celas, com presos acometidos por várias doenças de pele e tuberculose.

De acordo com a Sejus, existe torre que garante fornecimento de eletricidade no local, a comida está sendo entregue e não há problema no abastecimento de água.

Governo
O governador Camilo Santana (PT) informou, em sua página pessoal no Facebook, que solicitou apoio da Força Nacional de Segurança para estabilizar as rebeliões nos presídios cearenses.

"Conversei com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que já garantiu esse apoio imediato. Lamento profundamente o que vem ocorrendo em nossas unidades prisionais e não medirei esforços, junto com nossas forças de segurança, para que haja a estabilidade do sistema penal o mais rápido possível. Minha determinação é de que todas as medidas necessárias para isso sejam tomadas", disse.
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